Gilberto Freire ErotiKus

Gilberto Freyre ErotiKus – A origem da sociedade patriarcal brasileira. E / ou porque entenda …

A presença do erotismo na obra gilbertiana é estruturante de uma semântica da raça. Uma suruba que é uma amálgama da nossa identidade Da miscigenação que formou essa civilização nos trópicos. Abaixo do equador tudo pode. Dessa mistura de raças Darcy Ribeiro vislumbrou uma grande civilização. Macunaíma brinca com a cunhada. Minha amiga de gangorra com o portuga. Os santos mais populares no Brasil são os casamenteiros Santo Antonio, São Gonçalo e São João.

Os negros e índios possuíam um pênis menor que o branco europeu, escreve Gilberto em Sobrados e Mocambos. Os índios precisariam de artifícios para suprir essa falta. A sexualidade que prevarica é a sexualidade kitsch. Sexo kitsch orgasmo vicário, fissura priápica, continua teorizando Gilberto com base nos relatos dos visitantes e no escritor Havelock Ellis. No livro “Alhos e Bugalhos” saído a lume em 1978 Gilberto afirma que os escravos que se afoitaram a fecundar sinhás brancas, em uniões que de acordo com as teses apresentadas nos livros Casa- Grande e Sobrados e Mocambos resultaram de vitórias do amor ou do sexo sobre obstáculos de várias espécies sociais. Ou seja, o esperma teria vencido os ódios de classes, consequentemente seria impossível aplicar de maneira rígida o esquema marxista de lutas de classes no Brasil, onde houve uma rendição ao sexo metarracial (em Helena Bocayuva- Erotismo à brasileira).
Quando o livro Casa-Grande & Senzala foi lançado em 1933 houve quem o considerasse imundamente obsceno; ou extremamente sexy, pornográfico, até; ou imoral ao mesmo tempo que anti-religioso e mesmo antibrasileiro. Obra de alguém desvairado pela obsessão do sexo. História social? , perguntou austero crítico, professor da então pudica Universidade de Havard. E respondia, ele próprio …” Não! É sim uma história sexual” ( Freyre G. Alhos & Bugalhos 1978)
Para casar mulher branca e para pecar mulher negra. Freyre confessa preferências eróticas endogâmicas na sua predileção pelas mulheres brancas. O moreno é a cor do pecado, da transgressão e do exotismo, enquanto o branco é a cor da vida doméstica e da existência protegida da família.
Em Casa Grande & Senzala, alguns excertos :

– Branca para casar, mulata para f…., negra para trabalhar
– Negras tantas vezes entregues virgens, ainda mulecas de doze e treze anos, a rapazes brancos já podres de sífilis das cidades.
– O que sempre se apreciou foi o menino que cedo estivesse metido com raparigas. Raparigueiro, como ainda hoje se diz. Femeeiro. Deflorador de mocinhas. E que não tardasse em emprenhar negras, aumentando o rebanho e o capital paternos.

“Foram os corpos das negras que constituíram a arquitetura moral do patriarcalismo brasileiro…” As mulheres intelectualizadas eram poucas; Nísia Floresta surgiu – com exceção escandalosa. Verdadeira machona entre as sinhazinhas dengosa do meado do século XIX. (G. Freyre).

Gilberto nunca conclui e pratica uma sociologia impressionista que seria uma ideologia de Apipucos – e não ciência; comenta o seu xará Gilberto Vasconcellos que lhe dedica um belo livro. Gilberto é para ler curtindo! Roland Barthes e outros grandes escritores elogiaram. Gilberto foi, sim, um grande e original pensador da cultura brasileira. Leu tudo. Pesquisou em jornais, arquivos e outras fontes primárias.

Sexo é vida.

damata

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. DAMATA 19 de agosto de 2014 18:13

    Obrigado pela atenção Maria Bacci. A leitura de Gilberto Freyre é importante na construção dessa bella raça. O Erotismo é vida e faz parte do processo civilizatório.

  2. Maria Aparecida Anunciata Bacci 19 de agosto de 2014 16:59

    A visão de Gilberto Freyre,da mistura de raças em nosso país é interessante,criou um povo lindo,mas com coloca o autor é para ler curtindo.Ele retrata muito bem a sociedade patriarcal,e que as Sinhazinhas realmente eram para casar,pouco letras ,tonavam matronas logo,e ai entrava, a bela mulher negra, tanto para o Senhor como para os seus filhos,nascendo muitos brasileiros dessa mistura.”Sendo assim,o esperma teria vencido o ódio entre Classes,bem dito pelo autor, e retratado no Livro Casa Grande e Senzala.

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