O golpe escancarado: o que aqueles que o apoiaram têm a dizer?

O governo ilegítimo não vai cair por causa dos áudios de Sérgio Machado, pelo simples fato de que – como revelam os próprios conteúdos das gravações – foi exatamente para manter-se no poder e blindar-se contra a corrupção, à revelia do estado de direito e da vontade popular, que os que agora estão no poder fizeram o golpe. Não estão nem ai com o que a maioria das pessoas espera e contam com uma mídia de regime que minimiza a gravidade dos conteúdos das conversas de Machado e faz de tudo para desvincular o que os áudios revelam da legitimidade do governo golpista. Apenas, governarão e levarão adiante seu programa político-econômico de desmonte do estado e dos direitos sociais sem qualquer resquício mínimo de – nem preocupação com – aparência de legitimidade.

Mas as hostes que apoiaram o golpe batendo panelas, indo para as ruas com camisas da CBF e bradando “contra a corrupção” chegaram a uma encruzilhada da qual não podem se eludir.

Podem deixar as panelas nos armários, as camisas da entidade mais corrupta do Brasil nos guarda-roupas, as bandeiras verde-amarelas dobradinhas num canto, olharem para o outro lado e fingirem que não é com eles, abrindo de uma vez o jogo e admitindo que nunca estiveram contra a corrupção, mas seu único objetivo era acabar com a redução das desigualdades sociais e voltar aos tempos do domínio absoluto e incontrastado da Casa Grande.

Podem carregar – tendo ou não coragem para admiti-lo – a vergonha de saber que foram massa de manobra burrificada de corruptos e de entidades que querem acabar com seus próprios direitos.

Mas podem também inundar as ruas e as redes contra o governo ilegítimo e seu programa, se juntando à resistência que quem sempre esteve contra o golpe está levando adiante.

Não têm como fugir: não optar pela terceira possibilidade é – que eles queiram ou não – consentir calados às primeiras duas.

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