O golpe está dado, agora que floresça a resistência

A anulação da votação de 17 de abril na Câmara e sua revogação no mesmo dia são – agora não restam dúvidas – uma mensagem de Eduardo Cunha, que mais uma vez quis mostrar o alcance de seu poder pintando e bordando na cara do país. Não surpreende: o maior e mais perigoso gângster brasileiro é o elo de convergência e o eixo articulador de todos os interesses sujos por trás do golpe (Fiesp, grandes empreiteiras, bancos privados, multinacionais petrolíferas estrangeiras, fundamentalismo evangélico e um longo e macabro etcétera).

Não adianta se iludir: o golpe está dado. Do ponto de vista institucional, não há nada que possa ser feito para revertê-lo: as forças econômicas e sociais que movem os fios da derrocada da democracia sequestram a maioria dos poderes da república e das instâncias representativas e já decidiram o desfecho da história há meses, à revelia da Constituição, da legalidade, dos princípios básicos do estado de direito.

O que nos resta agora é a luta diária, dura, sem trégua, em todos os espaços sociais. Espero que o governo golpista não tenha um segundo de paz e sossego.

Espero que desabrochem ocupações e acampamentos no Congresso, no Planalto, no Supremo Tribuna Federal e em todas as praças, parques, palácios do poder, assembleias legislativas, sedes de veículos de imprensa golpistas, universidades, escolas, ginásios, empresas, etc. pelo país afora.

Espero ver greves gerais em todos os setores por tempo indeterminado, ruas inundadas e avenidas interditadas, espero que todas as metrópoles, as pequenas e médias cidades, as aldeias do Brasil inteiro não tenham um único dia de descanso.

Espero ver milhões de mulheres, de LGBTs, de negras e negros das periferias, de sem tetos, de sem terras, de jovens pintarem de todas as cores cada interstício das cidades ocupadas.

Espero ver o país ocupado, fervilhando de atos impregnados de arte, poesia, desobediência civil não violenta e amor (esse que nenhum golpe conseguirá esmagar).

Espero ver resistência e a construção de uma sociedade nova a partir das ruas, das praças, das escolas, de cada palmo de chão semeado de luta.

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