Gracias Señor e os não-massificados

Lembranças de homem maduro: assisti à encenação de Gracias Señor, pelo Teatro Oficina, em 1972 – ano que vem, 40 anos! Montagem intensa, envolvente, provocativa. Tinha cena de lobotomia executada em repolho. Excursionaram pelo Brasil – acho que não vieram ao RN. Marcou o início do fim do Oficina dentro da Ditadura – em 1974, José Celso Martinez Corrêa (foto) foi para o exílio.

A peça foi muito atacada por setores de esquerda que se anunciavam adeptos da Razão, como o crítico Sábato Magaldi. Anos depois, Sábato foi Secretário Municipal da Cultura na cidade de São Paulo  (primeiro desse órgão) num dos governos biônicos da ditadura… Magaldi foi secretário de Olavo Setúbal entre 1975 e 1979 – uns se exilam, outros servem à ditadura. A Razão (e de esquerda!) faz cada uma!

Hoje, lembrei de uma passagem daquela peça do Oficina: todo o elenco convidava o público a repetir junto, como num slogan publicitário, EU NÃO SOU MASSIFICADO, EU NÃO SOU MASSIFICADO!

O tempo passa mas as conquistas da Arte se mantêm. Quando vejo referências pejorativas à maioria da população supostamente massificada, lembro da lição daquela peça. Massificados são os outros? Não existe uma massificação de gente metida a superior? Será que existe uma ilusão de não-massificado?

Aproveito para confirmar com vcs: O Oficina nunca foi a Natal? Se não foi, faz falta.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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