Grafite – Tendência ou modismo?

Publicado originalmente em Macário Campos


Estive domingo retrasado no Parque da Luz, quando dei com as janelas da Pinacoteca cobertas com grafites; comecei a pensar, será que 2009 foi algum ano comemorativo do Grafite?

De imediato lembro de 3 grandes exposições, no MUBE, FAAP e MASP ( vide Vertigem – OS GÊMEOS e Arte da rua ), em que tivemos oportunidade de conhecermos e nos aprofundarmos nesta arte.

Analisando os desenhos da Pinacoteca e comparando com os que vi nas exposições, senti que pode estar nascendo uma nova escola de pintura, que poderíamos chamar de “GRAFITISMO”, pois vários artistas que conheci tem os traços parecidos e principalmente usam a cor amarela como base ou cor principal.

Todos eles de alguma forma já saíram das ruas e ganharam as galerias, produzindo telas de qualidade indiscutível.

Agora é muito estranho que não tenhamos notícias que que estes mesmos artistas (com exceção dos GÊMEOS) estejam desenvolvendo trabalhos de murais, e quando cito murais, não são as paredes particulares ou pilastras públicas onde pintaram sem convite.

Temos no Brasil uma extensa relação de artistas que exerceram o Muralismo com brilho e destaque, como João Câmara, Clóvis Graciano, Maria Bonomi, Athos Bulcão, Roberto Magalhães, Cláudio Tozzi, Emanoel Araújo, Yataka Toyota, Mário Gruber, Rubens Gerchman, Francisco Brennand, Haroldo Barroso, Cândido Portinari, Lula Cardoso Ayres, João Rossi, Miguel dos Santos, Carybé, Emiliano Di Cavalcante, etc; vários destes com expressão e reconhecimento internacional.

O muralismo, diferentemente do grafite, é a arte pública estreitamente relacionada com a arquitetura, portanto servindo como complemento de uma grande obra.

É bom perceber o dinamismo de nossas artes, com o surgimento de novos artistas que criam coisas belas, ampliando nosso horizonte cultural.



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