Grande Ponto

De Woden Madruga, em sua coluna na Tribuna do Norte de hoje.
http://tribunadonorte.com.br/coluna/2010

“Arthur Carvalho, em seu canto cativo de todas as quartas-feiras do Jornal do Commercio de Recife, fala de uma crônica de José Maria Guilherme sobre o Grande Ponto. O Grande Ponto de Natal. O título da crônica de Zé Maria é “Geografia Sentimental do Grande Ponto”. O título da crônica de Arthur é “Saudades do Grande Ponto”. Nascido em Salvador, mas vivendo em Recife-Olinda há muitos anos, Arthur também morou em Natal, coisa assim do final dos anos quarenta entrando nos cinquenta. Aqui e acolá, no JC, ele escreve sobre esse tempo, uma Natal mais ou menos como a que está retratada na geografia sentimental de Zé Maria Guilherme, que Arthur chamou de “texto antológico”. E é.

A Geografia Sentimental do Grande Ponto chegou a Arthur por conta de um imeio de Fernando Monteiro que a havia lido no saite de Tácito Costa, “Substantivo plural” postada no dia 17 de outubro. Por sua vez, o Tácito usara a gilete em cima do saite “Alma do Beco” que se dedica a estes textos que falam de uma Natal que quase não existe mais. E que dá uma saudade danada. A saudade que Arthur sentiu. A mesma saudade que sentiu Zé no tempo em que se exilou no Rio de Janeiro, onde começou a desenhar a sua geografia sentimental. O grande e inquieto José Maria Guilherme que hoje é uma saudade perene nos amigos que ficaram.

Se o leitor está pensando em fazer uma deliciosa viagem ao passado acesse o www. substantivoplural.com.br e procure o “texto antológico” de José Maria Guilherme. Natal era, sim, bem melhor. Um tempo que não havia Capitania das Artes… Mas havia a Sorveteria Cruzeiro, que Zé Maria conta como era:

– Sorveteria Cruzeiro, de Antônio China, com a radiola de fichas, onde eu me debruçava, suspirando saudades do primeiro amor, escutando Elisete Cardoso cantar “saudade, torrente de paixão, emoção diferente…” Depois o Café São Luís “100% puro” tomou o lugar da sorveteria. O Botijinha, de Jardelino; Café Maia, de Rossine Maia, goleiro dos bons, que defendia o América de gorro na cabeça; A Capital, depois Loja Seta; Foto Grevy; Cigarreira do Valdir, onde se comprava cigarro americano contrabandeado, a começar pelo Chefe de Polícia da época, que só fumava “Chesterfield”. Confeitaria Helvética, Salão Santo Antônio, de Toinho Barbeiro (….).

Arthur Carvalho mexe também com suas lembranças e vai contando no rastro das madeleines de Zé:

“… o Botijinha, de Jardelino, o Estádio Juvenal Lamartine, onde jogamos algumas vezes pelo Guarany Esporte Clube, fundado por Levy Caminha e meu irmão Carlos Aloysio, enfrentando o juvenil do ABC de Ezequiel Ferreira de Souza, Paulo Eduardo Firmo de Moura e Fabiano Veras, o América, de Kleber de Carvalho Bezerra e Etevaldo Miranda, o famigerado Tetê, também conhecido como “Vírgula” pelas suas pernas arqueadas (…)”

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