GRANDE SERTÃO: A COISA DENTRO DA COISA

Carlão:

Gosto muito de Grande Sertão: Veredas. Considero absolutamente legítimo qualquer pessoa detestar essa obra ou qualquer outra obra desde que o juízo seja explicitado de maneira analítica e demonstrativa.
Penso que o romance de Guimarães Rosa é bem mais que ser ou não ser gay. Evocando o grande livro de Walnice Nogueira Galvão “As formas do falso”, apontarei como um mote central do romance de GR a coisa dentro da coisa, quer dizer, o entendimento do que existe por detrás das aparências imediatas. Nesses termos, poderíamos falar no gay dentro do macho, no macho dentro do gay, na fêmea dentro do macho, no macho dentro da fêmea… Mas é tanta coisa mais! O medo dentro da coragem, o sagrado dentro do pacto com o demo, a santa dentro da assassina (Maria Mutema)… Grande Sertão é difícil, nenhuma frase o consagra nem o descarta. Grande Sertão é erudito (mil e uma referências) e também tão direto no que se refere a fantasias, sentimentos, conflitos.

Repito: qualquer pessoa pode amar ou detestar qualquer obra, até “Odisséia”. Mas o juízo, para ser juízo, carece de argumentação analítica e demonstrativa. Caso contrário, vira piadinha de salão mal feita.
Sei que não é seu caso, amigo. E gostaria muito de conversar com vc sobre esse e outros temas.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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