Gullar retrocede

Caros amigos:

Há uma semana, Ferreira Gullar divulgou, na FSP, belas recordações sobre dois importantes artistas plásticos brasileiros com quem conviveu – Hélio Oiticica e Lygia Clark. Hoje, prefere se tornar discípulo de Fernando Henrique Cardoso para analisar o Governo Lula. Lógica elementar: repetir bobeiras alheias é se fazer de bobo. O interesse de FHC, quando critica o governo Lula, é retomar o que denuncia no outro e em seu partido: o monopólio de cargos e privilégios (Ai que saudades que eu sinto das nomeações de minha vida!). Gullar silencia que a cooptação do sindicalismo no Brasil pós-ditadura vem de longe – v. o episódio Magri no desgoverno Collor. Centrais sindicais e fundos de pensão (neopeleguismo) foram devidamente usados desde FHC, ao menos. Vale criticar Lula por manter e até ampliar essa política mas supor que ele a inventou é virar porta-voz do PSDB. Adivinhar as intenções políticas dos outros é exercício de história imaginária que Jorge Luís Borges fazia muito bem mas nem todo mundo dá conta. Gullar não aponta um só projeto alternativo de seu mestre FHC para os problemas graves do Brasil – emprego, educação, alimentação, saúde… Ficamos numa disputa entre fã-clubes: Emilinha ou Marlene, Lula ou FHC? Entre a demagogia de denunciar os olhos azuis alheios e a demagogia de ser o olho do mundo.

Existe vida inteligente fora dessas dicotomias. Ferreira Gullar, pelo visto, não viu – síndrome da Carolina, de Chico Buarque.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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