Haroldo de Campos e a Máquina do Mundo

Nesse quatorze fevereiro ele aniversaria … Aquariano: como DaMata e Joyce. Galácticos.
Escreveu e traduziu muito. Encantou-nos. Encantou-se.

Um dos seus grandes poemas é a Máquina do Mundo Repensada, inspirada em Camões e Drummond.

O poema A Máquina do Mundo Repensada de Haroldo de Campos, de corte clássico, tem três partes composto em versos brancos decassílabos dispostos em terza rima.

A primeira parte retoma a representação da “máquina do mundo” em Dante, Camões e Drummond. A segunda expõe os desenvolvimentos da física e da cosmologia moderna (Galileu, Newton, Einstein e Poincaré), que permitiriam superar o modelo ptolomaico presente na construção metafórica daqueles poetas.

Na terceira, que tem cerca de metade da extensão total do poema, o poeta propõe erguer-se à contemplação do universo concebido segundo a teoria do big-bang.

e eu nesse quase – (que a tormenta
da dúvida angustia) – terço acidioso
milênio a me esfingir: que me alimenta
a mesma – de saturno o acrimonioso
descendendo – estrela ázimo-esverdeada
a acídia: lume baço em céu nuvioso

Haroldo utiliza o conceito de constelação, não empregado por Camões.
do zodíaco ( límpido bestiário
que a grupo constelantes dará nome
grande ursa cinosura o lampadário

O poeta – erudito – utiliza conceitos da Astrofísica Moderna no final do seu poema – milênio- vinteano, para, tem
teando, decifrar a máquina do mundo:

Já eu quisera no límen do milênio
O número três testar noutro sistema
Minha agnose firmando no convênio

Parabéns meu querido mestre.
J.M. C.

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 3 =

ao topo