Hildeberto comenta “Colóquio…”

Do escritor e crítico Hildeberto Barbosa sobre o livro de contos “Colóquio com um leitor kafkiano”, de Nelson Patriota:

Cabo Branco, 22 de janeiro de 2010

Nelson:

A mim você não fica devendo romance nenhum, embora possa vir a escrever algum no futuro. Que mania essa (vai para o sagaz Tácito Costa!) de exigir de um contista a elaboração de um romance. Parece até que o conto é um gênero menor. Santa ingenuidade! Seus contos me dão a convicção de que estou diante de um escritor, sobretudo de um escritor-leitor, à maneira de Borges. E isso me basta. Para além do conto que dá título ao livro, destaco, em especial, “Prelúdio e fuga para um cavaleiro da Mancha”, misto de perfil jornalístico, memória e ficção sobre o multifário Cascudo. “No divã” também me agradou muito. Gosto dessas investigações digressivas acerca do enigma literário. O “Colóquio” me parece perfeito, pois resume o essencial de suas perplexidades ficcionais. Enfim, domínio da linguagem, leveza de expressão, segurança na construção da trama, erudição intertextual, contudo, sem pedantismo, me garantem maturidade no desafio do estreante. Você não carece de romance para ser um escritor.

Sem mais, meu abraço grande.

Hildeberto Barbosa Filho

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Na orelha que fiz para o livro de Nelson disse que, depois dos contos do “Colóquio”,  ele ficava nos devendo um romance.  A intenção foi mais de estimular o escritor em novas empreitadas. Não teve o sentido, consciente, de comparar conto com romance. Para que não fiquem dúvidas, ambos (mais a poesia) tem para mim a mesma importância e me dão idêntico prazer.

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