Histórico de lutas

Grace e demais,

Conheci o MST em 2002, através de um amigo. Eu já havia lido algo nos jornais, uma visão negativa, o que acabou por me desperatr o interesse. Esse sujeito me levou a um assentamento, o Sepé Tiarajú, no interior paulista. Depois descobri a editora Expressão Popular e a loja de artigos orgânicos que fica na cidade mesmo. Me pegaram pelo estômago, pela leitura e, sobretudo, pela educação.

Desde então nunca deixei de atuar como posso, da melhor maneira possível. De 2002 a 2004 colaborei nas bibliotecas, ainda no interior paulista, angariando livros, catalogando e distribuindo nos assentamentos. Já na Universidade montamos o NATRA – Núcleo Agrário Terra e Raíz -, onde junto à toda comunidade colaborávamos em formações, juridicamente ou com assistência, no meu caso, nas formações.

Já no Ceará colaborei no curso Pedagogia da Terra, a primeira turma “Patativa do Assaré”,  se formou há pouco e foi uma das maiores emoções da minha vida, ver aquela gente sofrida e cansada, em sua maioria “acima da idade pra estudar”, se deslocando de lugares tão longes. Esse curso é um convênio do PRONERA – Programa Nacional de Educação em áreas de Reforma Agrária -, do MST e da UFC. Os educadores ali formados, evidentemente, vão trabalhar nas escolas dos assentamentos ou nas escolas itinerantes, essas funcionam nos acampamentos, quando ainda não há a possibilidade de se montar uma “fixa”. A duas primeiras preocupações ao se ocupar uma área são a educação e a saúde.

Há ainda os cursos técnicos em agronomia, magistério, etc. As escolas vão desde o ensino infantil, que chamamos “ciranda”, até o superior, contando ainda com o EJA – Educação de jovens e adolescentes.

Este ano minha colaboração continua no Setor de Educação, nas bibliotecas, levantando as demandas educacionais dos assentamentos e acampamentos, formações, capacitações, enfim,  é essa trincheira onde mais posso colaborar. Desde o final do ano passado também temos avançado muito na questão de gênero, mais que necessária, sobretudo nesse interiorzão.

Além do MST, trabalho num colégio de padres e à noite em uma faculdade particular onde leciono história da arte. Em São Paulo trabalhei como professora de História no Estado. Posso lhes assegurar: a educação aqui “é outro mundo, outra civilização”. O conhecimento e os saberes são construidos numa horizontal e seu objetivo não é formar gente pra competir até a morte (inclusive literalmente) pra galgar uns degraus no mercado de trabalho, mas sim formar seres humanos capazes de compreender e transformar sua realidade e a de todos companheiros, de luta ou não.

Sobre o histórico de lutas do movimento, há um texto que produzimos coletivamente AQUI.

Abraços.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. nina rizzi 23 de maio de 2010 19:32

    corrigindo: onde se lê “EJA – Educação de Jovens e adolescentes”, leia-se: educação de jovens e adultos, que vai da alfabetização ao ensino médio…

    Jarbas, querido, vou ficar no aguardo, será, com certeza, um evento belo e muito importante não só pra comunidade acadêmica, toda ação é política. E que nosso amigo Moacy participe 😉

    Flávio, é mesmo isso aí. Lembro de ter lido algo do Cristovam Buarque, mais ou menos assim: “bonito vai ser quando essa direita perceber que a educação do MST faz milagres”…

    beijos.

  2. Jarbas Martins 23 de maio de 2010 12:05

    Bela, querida Nina,a sua atividade como poeta, e belo também o seu trabalho como pedagoga e militante política. Estou ainda aguardando
    resposta da UFRN acerca do projeto que lhe falei: uma grande discussão sobre a questão da poesia em sua ligação com a política. Como mediador gostaria que o nosso Moacy Cirne participasse. Beijos.

  3. Flávio José 23 de maio de 2010 10:19

    Louvável a luta de Nina Rize em apoiar o MST no nosso país. Apesar das críticas sempre emanadas pela direita, muitas pessoas sequer sabem do que passam milhares de famílias que muitas vezes nem dispõem de alimentos para seus filhos. Mas, no entanto, é preciso reconhecer que, o modelo de educação planejado pelos sujeitos que vivem no campo, e pensam sua formação, é um modelo que ainda vai fazer o país parar para compreendê-lo.

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