Homenagem aos que resistiram ao golpe e à ditadura militar

Dia 2 de abril (quarta) às 19 horas

Local: Tuca/PUC-SP, Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes

No dia 2 de abril, quarta-feira, às 18 horas, o teatro da PUC-SP, incendiado durante o regime militar, será palco de uma das principais homenagens à personalidades que simbolizam a resistência ao Golpe de 1964, que completa 50 anos. O ator Sérgio Mamberti conduz as homenagens, com presença do poeta Thiago de Melo e do compositor Sérgio Ricardo e lideranças políticas e sociais.

Os 50 anos do último golpe militar imposto ao Brasil serão lembrados em um território emblemático de luta de ideias, com homenagens aos que resistiram, das mais diversas formas, ao regime ditatorial. O Tuca, teatro da PUC-SP incendiado e invadido por militares, assume sua vocação conhecida de resistência política à ditadura, reunindo a militância das lutas sociais para homenagens a personalidades simbólicas da resistência e aos mártires que deram suas vidas pelo ideal democrático.

Às 18 horas, ocorre a inauguração do “Monumento ao Nunca Mais” nas dependências da PUC-SP, um dos 16 inaugurados ao longo do ano em diversas cidades brasileiras pelo Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia, em parceria com o Instituto Alice. Os monumentos são como tótens situados em espaços simbólicos da resistência à ditadura.

A partir das 19 horas, ocorre o ato conduzido pelo ator Sérgio Mamberti, permeado por apresentações musicais do compositor Sérgio Ricardo, cantando sua canção Calabouço, em homenagem ao estudante paraense Edson Luís, assassinado durante confronto com policiais militares no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, em 1968. O coral Luther King, sob regência de Martinho Lutero, canta Viola Enluarada (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), em homenagem a trabalhadores do campo e da cidade na luta contra a ditadura.

As homenagens prosseguem ao presidente da República João Goulart, representado pelo neto João Alexandre Goulart. Aos 88 anos, o poeta amazonense Thiago de Melo é lembrado por sua obra, como “Poesia comprometida com a minha e a tua vida”, de 1975, que provocou sua prisão e exílio. O poeta representará simbolicamente todos os artistas que produziram e enfrentaram a repressão. Haverá, ainda, homenagens aos estudantes e trabalhadores, assim como a mais de 400 mártires da resistência torturados e assassinados pela ditadura. Finalmente, Dom Paulo Evaristo Arns será lembrado pelos setores religiosos que cumpriram importante papel na defesa dos direitos humanos, a exemplo do rabino Sobel e do pastor presbiteriano Jaime Wright.

O Ato reafirma o compromisso pela luta pelo direito à memória e à verdade, tanto na busca pelo paradeiro dos corpos de presos pela ditadura, como pela defesa da punição aos torturadores, apoiando todo o trabalho extensivo da Comissão da Verdade, representada na ocasião pela Comissão da Verdade da PUC-SP, pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva e por Paulo Abrão, presidente da Comissão Nacionalde Anistia.

Lideranças nacionais do PT, PCdoB e PDT farão pronunciamentos, assim como lideranças sindicais e sociais. O Ato é realizado pela Fundação Perseu Abramo, a Fundação Maurício Grabois e a Fundação Leonel Brizola e Alberto Pasqualini, pelo PT e PCdoB, pela CUT e CTB, Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pelo MST, UNE, UBES, Conam, UJS, UBM, ANPG e Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé. O evento tem o apoio do Conselho Federal da OAB, da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo e da Comissão da Verdade da PUC-SP, sob a reitoria de Nadir Gouvêa Kfouri.

SERVIÇO:

EVENTO – 50 anos do golpe de 1964: Ato em Homenagem à Resistência e Luta pela Democracia

DATA: dia 2 de abril, quarta-feira.

PROGRAMAÇÃO: 18h, Inauguração do Monumento ao Nunca Mais (PUC-SP) e 19h, Ato em Homenagem à Resistência e Luta pela Democracia (Tuca)

LOCAL: Tuca/PUC-SP, Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 5 comments for this article
  1. Jarbas Martins 1 de Abril de 2014 18:05

    E os monumentos aos nossos mortos, Marcos Silva ? Vou citar apenas dois: Emmanuel Bezerra, líder de minha época no Movimento Estudantil e Luiz Maranhão Filho, que foi meu professor de Geografia no Atheneu.

  2. Marcos Silva
    Marcos Silva 1 de Abril de 2014 22:56

    Vc tem razões para indagar isso, Jarbas. E nem mencionou Djalma Maranhão, morte provocada pelo exílio.
    Nós todos podemos começar a erguer esses monumentos, discutindo seriamente aqueles e outros nomes. Quando será criada uma Fundação Djalma Maranhão?

  3. Jarbas Martins 2 de Abril de 2014 9:13

    Com você, Marcos.Pela criação da FUNDAÇÃO DJALMA MARANHÃO.Você poderia estar à frente dessa iniciativa.Diferentemente do seu irmão LUIZ MARANHÃO FILHO, Djalma não sofreu torturas físicas,.Foi lhe imposta uma pena duríssima: o exílio.Amigos meus que visitaram-no no Uruguai,descreveram seus dias terríveis de desterro, ele abatidíssimo,olhando sempre para um objeto- uma planta, uma foto- que lhe lembrasse a cidade que tanto amava.Morreu, como muita gente disse por aí, de banzo. Forte abraço, amigo Marcos.

  4. Anchieta Rolim 2 de Abril de 2014 9:26

    Bem lembrado, Jarbas. O que me deixa muito mais triste, é ver pessoas que passaram por esse triste e trágico momento da nossa história dando tudo de si por um Brasil melhor, ficarem no esquecimento. Enquanto alguns que se deram bem, ficam na mídia posando de herói. Essa história tem que mudar.

  5. Marcos Silva
    Marcos Silva 2 de Abril de 2014 11:03

    Pois é, Jarbas, exílio pode ser tb tortura. Exceto para os que, como FHC, amargaram o caviar da experiência.

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