Homenagem de Sanderson Negreiros a Navarro

Ainda na conjugação do verbo Navarro, provocado e embebido pela biografia escrita por Sheyla Azevedo, transcrevo um trecho do livro pinçado pela biógrafa em que o poeta Sanderson Negreiros homenageia o amigo Newton Navarro após sua morte. Sou fã declarado de Sanderson. Poeta maior, ensaísta notável e cronista de boa valia, me arrisco dizer que este contemplador de rio e de mar, ali do alto de seu apartamento, na Cidade Alta, escreveu alguns dos melhores prefácios e apresentações já publicados em Natal. Que o diga Tarcísio Gurgel, com seu Belle Époque na Esquina. Mas vamos à homenagem:

“Hoje, ele navarreia. Aonde navarreias, poeta? Tu, que estavas aqui, preso à condição humana, mais dolorosa e ressurgente, te libertarás, quando um pouco de nosso amor chegar perto de quem pensava que a Poesia era maior do que a Vida; esta que nos obriga a muito sobreviver, só é poesia depois da morte, quando somos reconhecidos criadores de alguma coisa. E tanto criaste, ó donatário da surpressa! Para tua surpresa, inclusive. Navarreante. Como teus amigos, Luís Carlos e Berilo, que navegam, insubstituíveis, na nossa lembrança, e se foram, também, para o Outro Lado – Já os encontraste? Tu que sentaste a beleza em teus joelhos, e não a injuriaste, como fewz Rimbaud, mas foste eternamente dominado pelo frêmito do que na Beleza é eterno, e contrastantemente efêmero? Tenho certeza que ainda viajas, navarreante, igual à força dos cometas azuis, em busca do Mistério. Que, afinal, é Deus, abrandando o sentimento trágico da vida, que era teu escudo. E teu descuido, de grande e solitário artista”. (Sanderson Negreiros)

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