Homo Lupus Homini

Lobo

Lobo, perdido na noite…
No eternal inferno
Mora o homem,
Devorando-se e devorando
A tudo e a todos,
Comendo e vomitando
A própria sorte.
Terrível exterminador
Da própria sombra,
Dos recantos vis
Da própria alma.
Poeta, como quem faz versos
Arquiteta a chacina trágica
Da traição.
Este animal que fala,
Beija, sussurra
E diz que ama,
Jura amor,
É réu confesso
De si mesmo é traidor.
Transita entre
A sorte e a paz,
Mas busca a guerra
– Manjar sangrento
Que parece correr-lhe
Nas veias.
Bebe em taça
Coquetel de fel
E brasas de inquietação.
Lobo que uiva (!!!!!!!!!!!!!),
Procurando, no tempo,
Aconchego ao coração.
Vagueia, buscando o nada
Ou encontra-se
Em total devassidão.
Lascivo, busca fora de si
O que não vê ter
Dentro do peito.
Engendra, transgride,
Aflige-se, tudo faz a si.
Dentro da sua noite,
Escura maldade.
Embriaga-se e bebe
A própria sina.
Para depois
Morrer da própria desgraça.

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