Igreja católica e celibato compulsório

Amigos e amigas:

O tema que Calligaris e Lívio abordam é de interesse geral. Considero um grave erro impor celibato aos outros. É claro que um religioso ou um leigo pode optar pelo celibato, dedicar sua libido prioritariamente a atividades desligadas do sexo genital – algumas biografias de importantes artistas indicam uma opção desse tipo, enquanto outros artistas igualmente expressivos optaram por uma sexualidade genital muito intensa. Totalmente errado é impor, em nome da disciplina institucional, esse desligamento aos outros, como a Igreja Católica tem feito ao longo dos séculos. Ou acobertar o afloramento da sexualidade em supostos celibatários, em nome da respeitabilidade institucional – como se os genitais e sua ação fossem vergonhosos, alheios à imagem e semelhança de Deus.
No livro “Cotidiano e vida privada na América portuguesa”, organizado por Laura de Mello e Souza e primeiro volume da série “História da vida privada no Brasil”, há um bonito texto de Ronaldo Vainfas (“Moralidades brasílicas – Deleites sexuais e linguagem erótica na sociedade escravista”) e ele narra práticas pedófilas de padres durante o período colonial, além da atividade da “solicitação” – sedução de mulheres no confessionário, incluindo chantagens (negar sacramentos se não for atendido) e apelando às vezes para o ataque físico no ambiente da igreja, atingindo preferencialmente as mais pobres. São práticas que me chocam, é claro. Mas penso que também devemos ver os padres e as freiras como seres humanos – que sentem tesão e, às vezes, são portadores de problemas graves no campo do erotismo. Um padre (ou uma freira) ter relações eróticas com pessoas adultas, no campo do consentimento recíproco, é algo absolutamente válido. Molestar crianças, com riscos para a saúde psicológica e mesmo física das mesmas (lembro que um coito completo de adulto com criança pode provocar lesões graves, até hemorragias, tendo em vista a ausência de lubrificação e dilatação dos órgãos penetrados) é inadmissível e deve ser punido no rigor da lei. Proteger quem faz isso da ação da lei é acumular erros sobre erros.
Abraços a todas e todos:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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