il est mort sans surprise

minha geração não morreu aos vinte e sete. minha geração não. morreu. só eu, degenerado, o pára-raio dos cânceres do mundo, marcado a ferro, ferrado, fodido. fodeu tudo. o poeta já era. de recuperar estrelas por cima das nuvens por cima das nuvens; o inferno, quem dera fosse os outros. sou nós apertadíssimos de fazer aparecerem veias. e (pausadamente) lambê-las (as veias). é noite, muito tarde, eu e o apartamento solitário. vodca e muito gelo preparo enquanto, devagar, the partisan vai mergulhando o timbre de leonard no copo, e eu mergulhando o copo goela. paradise me now, irani. depois abrir as bocas do fogão, supor o klink, saber o último beijo. sentar-me bêbado, supor a vodca. pressinto que o suicídio não está em voga. que sou um escritor ultrapassado.

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. carito 20 de maio de 2011 13:30

    nessa viagem
    minha passagem
    é de ida e vodka!

  2. Jota Mombaça 20 de maio de 2011 1:21

    a vodca é testemunha do estilhaçamento do meu nó-lírico. o cigarro proibido é o alarme de minha decadência. quando você me encontrar, não fale comigo! não olhe pra mim! eu posso chorar…

  3. horácio oliveira 19 de maio de 2011 15:27

    aí, mombaça, cê tem eu lírico? sua textualidade transpoética, rizomática, tem eu lírico? sua prosa é despretensiosa ou tem ambição? e, aí, mombaça?

  4. Marcos Antônio Lins 19 de maio de 2011 13:05

    Achei o escrito de pouca qualidade.Francamente, não sei nem caracterizar o que li. Se isso for considerado forma de expressão, aceito. O que nao pode é ser chamado de ARTE. Vamos respeitar a ARTE.
    Ok.

  5. Jarbas Martins 19 de maio de 2011 11:44

    mombaça sem filtro

  6. Anne Guimarães 19 de maio de 2011 11:09

    Gostei da sua descrição, Jota…
    As últimas cinco frases, então…uma beleza pra lá de Álvares de Azevedo…moderno. Amei a citação paradise me now Irani.. nosso mestre Jarbas aí citado. Admiro a sua forma de dizer aquilo que jamais disse, mas gostaria também de ter falado em muitos momentos. Não sei se vivencia parte dos seus peomas ou se tudo é sentido do seu “eu” lírico, mas isso pouco importa diante das renovações que você traz para nós, com competência… uma cor que ainda não sei descrever.
    Abraços ternos.
    🙂

  7. Ednar Andrade 19 de maio de 2011 10:57

    Calma… Mombaça…

    Muita calma nesta hora… Rs…

    E… Beijos.

    Com direito a trilha sonora de “Psicose”: tum, tum, tum…

    Gostei, nada fúnebre: divertido.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo