Imprensa colonial

Os operadores da imprensa reclamam quando os leitores comuns falam mal da atividade midiática. Mas “uma” imprensa que deseja ser respeitada precisa respeitar o leitor e o telespectador e não nos tratar como imbecis. Veja o caso: um garoto americano é disputado pelo pai de lá e pelo padrasto de cá. O menino tem todo o direito de ser feliz e ter pais de sobra. E não tem culpa de virar assunto permanente. A culpa é do colonialismo da nossa imprensa. Se a imprensa dedicasse um centésimo desse tempo às crianças abandonadas do Brasil, sem pai e mãe, no meio da rua, delinqüindo, que só são objetos da notícia no delito, talvez a sociedade e o poder público fizessem um pouco do que não fazem por elas. Uma semana de destaque para um assunto pessoal e familiar, como se aqui essa questão da criança abandonada fosse apenas uma exceção. É ou não é imprensa de paiseco?

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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