Impressões digitais

Ao longo do tempo, e de sua existência sobre o planeta, o homem vem deixando suas impressões digitais, como marcas de sua presença. Seja nos registros em cartórios; como senhas de acesso; na carteira de identidade ou nos crimes desvendados, o homem deixa as suas marcas, impressas e calcadas pelos dedos, como marcas digitais. Na sua trajetória, de formação e construção de um conhecimento, também ficam as impressões digitais, mídias transformadas e modificadas pelo uso dos dedos, e seus dígitos. Segundo um conhecimento, cada um tem uma digital própria e única, um modo de marcar sobre uma mídia, e um modo de ver o mundo que o cerca.

O homem chamado de pré-histórico, o homem denominado como do tempo das cavernas, com os dedos lambuzados de uma substancia aderente e pegajosa, e com determinada cor, começou suas pinturas, seus rabiscos. E com seus dedos imersos na pré-histórica tinta, fez pinturas em paredes e cavernas. Usou dos seus conhecimentos para transferir um conhecimento, obtido até aquele momento. E foi com seus dedos, com suas digitais que deixou registros. Criou as pinturas rupestres e afrescos sobre os tetos e as paredes, linguagens diversas e técnicas variadas em momentos históricos diferentes, divulgando cenas de realidade e imaginação.

O homem aprimorou seus conhecimentos e produziu instrumentos. Com objetos duros e pontudos aplicou sobre as rochas e pedras. Criou antecessores aos cinzeis e talhadeiras. E com instrumentos rústicos, criou as primeiras esculturas. Segurando ferramentas com mãos e dedos, criou uma arte para transmitir um conhecimento. Deixou em blocos de pedras suas impressões digitais. No princípio foi Moisés, quem trouxe um conhecimento, impresso sobre tabuas. Evoluiu com a escultura, sobre pedras movimentadas e escolhidas. Para uma melhor mobilidade, usou madeiras e troncos. José o pai de Jesus foi um carpinteiro, e entalhava conhecimentos. De madeiras e troncos o homem criou papeis, e Gutemberg, com sua invenção, favoreceu a divulgação das Bíblia. E parte do mundo foi cristianizado.

Com evolução tecnológica criou novas mídias e novos instrumentos, para exercer e transmitir um conhecimento. Mídias leves e planas com instrumentos de escritas tão leves como as plumas. E com uma pena suja de tintas na ponta, começou seus escritos em papiros e papeis. Evoluiu, mas não esqueceu o uso das mãos e dos dedos, para deixar suas impressões sobre o mundo em que vivia. Criou pinturas em bico de pena, criou as primeiras canetas, semelhantes às penas, as canetas tinteiro.

E com mãos e dedos foi evoluindo as escritas. Criou uma prensa que deu nome de imprensa, um modo de imprimir as coisas pensadas e escritas. Mas aquela primeira prensa construída por Gutemberg precisava de um modelo como matriz, esculpido pelos dedos e mãos, para produzir impressões em série e diversas. A imprensa evoluiu e foram criados os tipos, que precisavam ser escolhidos e separados a dedos, para então formar frases e palavras invertidas, que sobre um papel e com tinta, poderiam transferir os novos conhecimentos.

Da imprensa industrial surgiu a impressa doméstica, denominada de máquina de datilografia, com o uso dos dedos, e suas digitais sobre teclas. A máquina de escrever que facilitou a vida dos escritores, ficando como símbolo de autores como Umberto Eco e Cascudo, com charuto ou cachimbo. As imagens deles e de outros, diante de uma máquina de escrever, em ambientes escuros e de sombra. Papeis brancos com tinta preta, em fotos P&B. As maquinas de ideias diante das maquinas com tipos, produzindo conhecimentos datilografados. Deixando as penas de lado, deram asas ás ideias que foram datilografadas e escritas.

Surgiram então os computadores como maquinas digitais. Do analógico para o digital. Do relógio à máquina de escrever, passando por maquinas de calcular surgidas desde o ábaco. Tudo que era analógico passou ao sistema digital, não esquecendo o uso dos dedos, para manipular o conteúdo, ajustar seus relógios, teclas e programas. Hoje o mundo mais colorido sobre telas de cristal líquido.

Todo conhecimento pintado, esculpido ou entalhado, ficou reconhecido atualmente como arte. O conhecimento de um momento, fica agora estabelecido como arte, pela mídia antes utilizada. Hoje encontramos os livros com uso por computadores, e outros equipamentos, em arquivos denominados de livros digitais, e-livros ou e-books. Mas ainda não esquecemos os livros com capas e páginas, como um suporte físico, para transmissão de um conhecimento. Livros que possuem toda uma história e uma tecnologia por trás da sua criação ou confecção. Um livro para ser manuseado com mãos e dedos, com direito ao aroma de papeis e tintas. Da ideia inicial a ideia final, da arte inicial à arte final uma neurologia e uma tecnologia. Textos foram digitados e arquivados em uma diversidade de arquivos: do Doc. ao PDF; armazenados em pen-drive, CDs, DVDs ou HDs, interno ou externo. E até em nuvens, na morada dos deuses.

Um dia no futuro, tudo pode ser reconhecido como arte, de um homem tecnológico no futuro dos homens pós-tecnológicos, a era do pós-humano. Antes de todo arquivo ser criado, sobre mídias de paredes, ou expostos, agora por janelas (Windows). Foi com mãos e dedos que os arquivos foram criados, a partir de um HD pessoal contido em uma caixa craneana.

Impressões e ideias sobre o mundo em geral, ou um mundo particular, um mundo menor, com um limite geográfico, seja ele regional ou estadual são impressões digitais, como um título de um livro. Um livro com um autor colocando suas pesquisas, suas ideias, suas visões e suas imagens sobre um livro, como Thiago Gonzaga. Construindo deixando um conhecimento, para ser colocado ou exposto em uma estante junto a uma parede, de um cômodo ou caverna. Com o livro aberto, repete-se a cena, diante a parede da caverna à sua frente. Agora com a possibilidade de sair da caverna, um ambiente com o conhecimento pouco iluminado. Os livros podem ir para qualquer lado, eliminando o mito da caverna interpretado por sombras formadas pela iluminação que vem de fora. Thiago Gonzaga, evangelista nordestino, apresenta um livro novo e iluminado, dividido em partes tridimensionais.

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