Imprimindo a história

NA TRIBUNA DO NORTE

A carga histórica, cultural e até romântica que envolve a evolução da industria gráfica pode ser resumida, nos dias de hoje, com apenas um clique – gesto suficiente para materializar a impressão de um documento.

O processo foi simplificado ao longo de cinco mil anos, mas a grande revolução aconteceu mesmo há quase seis séculos, quando o gráfico alemão Gutenberg inventou a tipografia com caracteres móveis. Desde então, a forma de se consumir informação nunca mais foi a mesma e parte dessa trajetória está literalmente impressa no livro “Memórias da indústria gráfica no RN”, título que busca ressaltar não só a presença e a importância da indústria gráfica em solo potiguar, como também resume a chegada da tipografia no Brasil em meados do século 18.

Distribuído em escolas, bibliotecas e entidades culturais, o livro já havia sido iniciado em outras duas oportunidades antes do projeto ser concretizado: “O acesso às fontes físicas também não foi tarefa das mais fáceis, e até uma goteira apareceu no caminho para molhar alguns documentos que havíamos conseguido. Por isso, além da superação, considero a publicação desta obra a concretização de um sonho”, declarou Alexandre Firmino de Melo Filho, presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do RN e representante no Estado da Associação Brasileira (Singraf/Abigraf-RN), entidades responsáveis pela edição.

Ricamente ilustrado com textos dos jornalistas Tácito Costa, Nelson Patriota e Eliade Pimental, fotografia e diagramação de Clodoaldo Damasceno, mais imagens de arquivo garimpadas no Museu da Imprensa (A República), no Instituto Histórico e Geográfico e nos jornais Tribuna do Norte e O Mossoroense, “Memórias da indústria gráfica no RN” apresenta um panorama cronológico entremeado por depoimentos e perfis de pessoas que dedicam e dedicaram toda uma vida às artes gráficas. “Se trata de um registro histórico sem pretensões de abarcar tudo o que ocorreu, e nem muito menos esgotar o tema”, frisou Melo Filho.

Entre tipos, tintas, papéis, prensas e os diversos personagens retratados no livro de grande formato, destaca-se a figura de Ivan Júnior, 47. Proprietário da Offset Gráfica, na Ribeira, um lugar sempre de portas abertas para artistas de todas as áreas. Visto como uma espécie de mecenas, que colabora de maneira assídua com os fazedores culturais, Ivan já acumula 33 anos de envolvimento com a indústria gráfica – começou aos 14 anos na antiga editora Clima.

“A tecnologia mudou completamente o perfil desse setor nos últimos 20 anos. Se antes havia um envolvimento manual, pessoal e até romântico com o produto, hoje a escala é industrial”.

Ele lembra que chegou a trabalhar com os três principais tipos de técnicas gráficas utilizadas ao longo do século 20 antes do migração total para a impressão digital. “A rapidez tecnológica foi tão grande, que cheguei a manter três formas de impressão em funcionamento antes da transição completa para o meio eletrônico: a gráfica funcionou com os tradicionais tipos móveis, linotipos (chumbo derretido) e fotolito (filme de acetato) ao mesmo tempo”, lembra.

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Do editor

Disponho de três exemplares da obra para doação à biblioteca ou escola. Contato através do meu e-mail (endereço lá no Expediente do blog).

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