Inadmissível, Plínio!

Considero Plínio de Arruda Sampaio um homem dotado de importante trajetória política, brilhante intelectualmente. Sua candidatura presidencial em 2010 poderia ter desempenhado um papel crítico ainda maior porque continha efetivamente propostas diferenciadas. Entendo que ela findou se caracterizando por um desmedido histrionismo que até sugeria aos desavisados uma pretensão de se tornar apresentador de televisão, e não presidente da república. Plínio se deixou levar por suas performances, que a mídia findou divulgando no nível do fait-divers (idoso traquinas e por aí). E não usou do espaço que ocupou para demonstrar a viabilidade de suas propostas, que findavam aparecendo como exotismo radical – um Eduardo Suplicy mais abusado.

Essa fala recente sobre a vantagem da repressão (Serra) em relação à cooptação (Dilma) me assusta pela irresponsabilidade política. Plínio sabe que repressão significa paulada nas costas e na alma, costelas e dignidade igualmente quebradas. Considero inadmissível falar do assunto nesse nível, um desrespeito a quem, um dia, sofreu o odor de bombas usadas no combate a passeatas, para não falar em quem foi preso, torturado, estuprado. Ou Plínio supõe que repressão não inclui isso? Se supuser, a irresponsabilidade é maior.
Penso que o Socialismo tem muito a dizer. Qual Socialismo? Depois do fim do bloco soviético (na verdade, desde muito antes, desde o fim da Oposição de Esquerda na Rússia revolucionária, desde a experiência do Stalinismo e seus desdobramentos), Socialismo tem que se reescrever! Por que estatismo? Por que partido único? Por que Imprensa única? Por que Artes unânimes?

Gostaria que Plínio e outros colegas do PSOL não falassem esses horrores como se abordassem um ponto de bordado alternativo ou um novo sabor de chá tailandês. Não se brinca com repressão. É digno fazer oposição tanto ao PSDB quanto ao PT mas não partindo de contrapontos absurdos entre repressão e cooptação para, pior ainda, optar pela repressão.

Quero continuar a respeitar Plínio e o PSOL. Para tanto, é condição fundamental que eles se dêem ao respeito. E isso não está ocorrendo!

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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