Indignado

daniel dantasDo jornalista Francisco Duarte, por e-mail:

“Confesso aos meus amigos a minha dor, a minha revolta e a minha angústia com a decisão de terça-feira de um STF que vem sistematicamente arvorando-se no papel de legislador, senão de feitor, do país. Depois de várias decisões lamentáveis, para dizer o mínimo, como a que derrubou a consideração trabalhista para quem é formado em jornalismo, beneficiando claramente os patrões, e depois de conceder habeas corpus para o megapilantra Daniel Dantas, em ambos os casos o próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, sendo o protagonista-relator, agora foi demais: fechou os olhos para a própria Constituição Federal, razão da existência do próprio Supremo Tribunal Federal, e manteve a censura ao jornal O Estado de São Paulo, que foi impedido de publicar denúncias consubstanciadas de corrupção e uso da máquina federal em benefício de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado e ex-presidente do Brasil José Sarney.

A censura tinha sido decidida pelo desembargador amigo de Sarney e agora, depois deste ter sido considerado suspeito, a decisão foi transferida, por determinação do próprio STF, para um juiz do Maranhão. UMA VERGONHA! Quando o assunto é censura descarada, não há muito o que discutir: deve ser revogada imediatamente. Ou então rasguem a Constituição!!

Mais que um jornalista: um brasileiro indignado!!

Por favor, leiam abaixo o texto de Augusto Nunes

Os liberticidas do Supremo

“Aos fatos. O Estadão começou a publicar em 10 de junho reportagens com informações, amparadas em provas materiais e contundentes, sobre ações ilícitas praticadas por um grupo liderado pelo senador José Sarney. Em 31 de julho, a série foi interrompida pela ressurreição da censura.

A exumação da prática abjeta foi solicitada por Fernando Sarney – filho do chefe e principal executivo do grupo – e concretizada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ex-funcionário do Senado, o bacharel virou figurão do Judiciário por indicação de Sarney. Para fazer a vontade do patrão, invocou o segredo de Justiça e silenciou o jornal.

Depois de admitir a suspeição do desembargador, o tribunal decidiu que o caso seria julgado pelo similar maranhense, controlado por Sarney. O truque pareceu abortado pela notícia de que o Supremo Tribunal Federal resolvera deliberar sobre a pendência.

Embora com injustificável atraso, animaram-se os democratas, a violência seria enfim neutralizada pelo STF. A Constituição proíbe a censura à imprensa. Nenhuma norma jurídica está acima da norma constitucional. Assim pensaram milhões de otimistas até a sessão desta quinta-feira. Por 6 votos a 3, o ultraje foi endossado pelo Supremo.

Pouco importam as alegações dos ministros que aprovaram o prolongamento da censura que já completou 133 dias. Armados de filigranas processuais, consumaram um liberticídio. E se tranformaram em cúmplices de um bando fora-da-lei.” (Augusto Nunes)

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