A informação e o jornalismo

O repórter, o jornalista ou o periodista tem uma profissão, com a função de colher informações nas ruas, e transformar em um texto, uma imagem ou uma fotografia, e disponibilizar ao público que deseja informação. E a rua é um espaço amplo que vai da cidade ao campo. De dentro de uma casa a um ponto longínquo da estrada. Do espaço público ao espaço particular, com direito de uso e autorização de entrada.

As declarações de pessoas comuns dão resultados diferentes das com pessoas públicas. Prefeituras, governadorias e secretarias municipais ou estaduais, tem suas palavras ditas em aberto, como um texto oficial, o ponto de vista da administração pública. Um texto autorizado e reconhecido, lembrando o pensamento de Bourdieu, estabelecendo campos e domínios. Um secretário é como uma extensão da palavra ou da presença, do prefeito ou do governador, que foram eleitos para administrar a cidade ou o estado. Sem caber posições individuais. Não lhe cabem fazer reportagens de fatos além de suas pastas. Muito menos apologias ou críticas a partidos.

Uma informação é a mensagem de algo acontecido ou por acontecer, onde o leitor do texto ou da imagem, não pode estar presente ao local e na hora do acontecimento do fato.  Hoje a grande maioria da população tem uma câmera na mão, que pode filmar ou fotografar um fato, diante de seu caminho e ao alcance de seus olhos, sob o comando de seus dedos e suas mãos. E que em alguns minutos poderá estar em um blog ou nas redes sociais. Cabendo ao internauta dar crédito ou não, na origem do conteúdo e da gravação.

A redação textual ou a imagem, são as primeiras ideias do fato, a partir do ponto de vista do leitor, com o olhar daquele que retratou. Com textos ou imagens o leitor faz a suas interpretações. Uma interpretação a partir de seus conhecimentos, suas posições intelectuais, didáticas ou geográficas. E até profissionais. Cada ponto de vista é a vista de um ponto, e cada um enxerga a partir do lugar onde pisa ou onde senta, lembrando algumas palavras de Leonardo Boff. Lugares que ficou sentado e por onde passou; dos livros que leu, das pessoas que conviveu. Das viagens que fez, das imagens que viu, muitas com legendas.

Tanto o repórter ou jornalista; mestre ou doutor; orientador ou professor, não tem a capacidade de colocar na cabeça de seus alunos, leitores ou orientandos, suas ideias anteriores. Ainda que tente, ainda que busque argumentos e estratégias. Cada um tem um conhecimento anterior para analisar, criticar ou aceitar novas informações e novos conhecimentos. Cabe ao leitor ou aluno, aceitar todo conteúdo ou partes, contrapondo e entremeando com seus próprios pontos de vistas, o seu conhecimento. Apenas aqueles que não tem uma opinião formada, podem trazer para si uma primeira opinião. Quem não conhece o livro sagrado, busca um padre ou um pastor. Melhor seria cursar teologia.
Muitos preferem a regra do menor esforço, sem leituras e sem interpretações. Preferem consumir uma opinião formada, para usar no templo ou na igreja, não as levam para as ruas. E assim só assimilam o que desejam, ou o que lhes convém.

Mas é necessário ler e fazer interpretação, conhecer a relação entre as palavras, reconhecer as letras e os símbolos, o que já é uma opinião formada, o uso de uma língua ou um idioma. Não é à toa que se tem dois olhos e dois ouvidos, é preciso ver e ouvir dois lados, pelo menos dois lados. E ainda há o movimento do corpo e da cabeça, criando um campo tridimensional. As possibilidades diversas de seguir e olhar para todos os lados.

Cada texto, cada reportagem, uma matéria; cada capitulo, ou cada livro tem um título, um chamamento ao leitor. E é a partir do título que o leitor decide começar ou continuar a sua leitura. O livro ainda possui outro atrativo, como uma capa ilustrada e uma contracapa ou uma orelha, esboçando o seu conteúdo. Apresentações dão pontos de vistas de leitores que já leram o conteúdo do livro, mas comumente não vão além dos elogios. E para isto existem os resenhistas e os críticos que dão outros pontos de vistas. Mas a decisão de ler ou não ler ainda está nas mãos e nos olhos do leitor. Da mesma forma acontece como áudio livro, que só começa com um click, ao comando do ouvinte.

O jornalista conta a história presente, um recentemente acontecido, com interações entre o dia de hoje e o dia de amanhã. Cabe ao pesquisador, seja ele um mestre ou doutor, um geógrafo ou um historiador, um cientista social ou um mero leitor, analisar os fatos a partir de outros pontos de vistas, que podem ter relações com outros fatos, até desconhecidos. E o resultado das pesquisas, emitindo novas opiniões pode se tornar um artigo ou um livro, as vezes um capitulo ou parte de um livro, com um título, um resumo (abstract), com palavras chaves (key words) para que o leitor possa escolher e tomar ou não a decisão de ler. A decisão de aumentar ou confrontar os seus próprios conhecimentos.

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP