Insensibilidade estúpida da FJA com Deífilo Gurgel

Por Sérgio Vilar
NO DIÁRIO DO TEMPO
Foto: Alex Régis

A insensibilidade da Fundação Zé Gugu para com a figura de Deífilo Gurgel beirou a sacanagem. E medi bem o peso da palavra antes de escrevê-la. Se não é uma sacanagem completa e embrulhada pra presente, é porque a Fundação ainda patrocinou o livro do Romanceiro Potiguar, do mestre. Mas vejam: uma pesquisa de décadas; a mais aprofundada no assunto no Brasil e, quiçá, no mundo. Um trabalho difícil e extenuante para um idoso de 85 anos já com dificuldades até de terminar a dedicatória da obra, que o próprio Deífilo reporta como a mais importante de sua trajetória.

Este livro, senhores, seria lançado com pompa e merecimento. A ideia seria fechar, por poucas horas, a rua onde Deífilo mora, ali em Tirol. Rua de pouco movimento. Isso para apresentação de brincantes, do Fandango e Chegança de Canguaretama, de grupos de São Gonçalo e da presença das filhas e netas de Dona Militana. Seria um verdadeiro sonho para o mestre assistir da calçada de sua casa tudo isso. Muito mais do que um lançamento, seria uma homenagem merecidíssima. Talvez a mais bonita recebida por ele.

Mas eis que a insensibilidade estúpida aterrissa pela FJA. E colocaram a solenidade de lançamento do livro de Deífilo junto ao lançamento da Revista Preá, da mostra de fotografia do Agosto da Alegria e do lançamento de um livro do Instituto Histórico e Geográfico. Tudo junto, na Pinacoteca, próximo dia 21. Boa sorte a quem for. Tal qual o próprio Deífilo, eu não vou. Não compactuo com esse tipo de despretígio. Soube que Deífilo está mergulhado em decepção e disse sequer ter força para qualquer reação ao que fizeram com ele.

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Karl Leite 18 de dezembro de 2011 13:33

    Oi Sergio,
    Vi que não publicou o meu comentario. Alguma razão?
    Grato pela atenção.
    Abs, Karl

  2. eduardo antonio gosson 18 de dezembro de 2011 1:12

    NOTA DE REPÚDIO

    A União Brasileira de Escritores – UBE/RN vem, através desta Nota, repudiar o comportamento antidemocrático da senhora Secretária de Cultura ISAURA ROSADO em relação ao Escritor Deífilo Gurgel, decano da entidade, merecedor de todas as homenagens.
    Por sua vez, dois meses antes da realização do IV Encontro Potiguar de Escritores (de 24 a 26 de outubro passado), essa presidência, mediante ofício, solicitou uma audiência, para tratar de relevantes questões, bem como convidá-la para participar da mesa Propostas dos Gestores Públicos para a Cultura Potiguar. Não concedeu a audiência e nem compareceu ao debate (apesar do seu chefe de gabinete, senhor Nelson ter confirmado sua presença). No dia aprazado, após ligar para a FJA, fui informado que a mesma estava viajando e que viria um funcionário tapa-buraco com a finalidade de suprir a sua ausência).
    A UBE que foi fundada em 14 de agosto de 1959, tendo inclusive entre os seus fundadores o seu tio Vingt-un Rosado, DÁ E EXIGE RESPEITO. O Escritor Deífilo Gurgel, a essa altura da vida, não merecia passar por mais um vexame.
    Natal/RN, 18 de Dezembro de 2011
    EDUARDO ANTONIO GOSSON
    Presidente da UBE/RN

  3. Johnny Cavia 17 de dezembro de 2011 18:17

    Não comento o fato em si, apenas lamento que o bom jornalista Sergio Vilar teime em usar essa ridicula expressão ‘Zé Gugu’, afinal José Augusto foi um personagem importante em nossa história e tem familia que se sente atingida por essa brincadeira infantil do jornalista. Que ele ataque como quiser a Fundação, mas José Augusto não tem nada a ver com isso. Ouso comentar isso agora pois em almoço recente com sobrinhos netos do velho José Augusto, vários me externaram o desconforto com – repito – a infantil brincadeira.

  4. Denise 17 de dezembro de 2011 16:14

    Despretígio, desrespeito, desonra e todos os des que Deífilo não merece. Por que é tão difícil nossos gestores fugirem da imbecilidade?

  5. Tácito Costa 16 de dezembro de 2011 22:34

    Sérgio, assino embaixo do seu post e acompanho o seu protesto, também não irei a esse evento no Palácio da Cultura. Minha solidariedade a Deífilo. Decidir as coisas de cima pra baixo, sem ouvir os principais interessados, é a marca da gestão atual da FJA. Na semana passada tivemos uma mostra disso, com o envio à AL na última hora e sem ouvir os artistas, do Fundo Estadual de Cultura.

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