Intenções da segunda tropa

Amigos e amigas:

José Padilha, diretor do filme “Tropa de elite”, declarou que pretende ser “mais explícito” em “Tropa de elite II”, visando a “fechar isso [a discussão]” (FSP2.5.10, E-3). No conjunto da entrevista, ele indica que falará mais sobre a responsabilidade do aparelho de estado pela violência e pelo tráfico. É uma boa intenção. Na tropa anterior, penso que houve real destaque à vontade individual de Nascimento e seus auxiliares de confiança (a honestidade como dom pessoal), os pobres apareceram como bandidos ou vítimas – mais bandidos – e a classe média universitária (ao que tudo indica, na pós graduação) como responsável idiotizada pela bandidagem dos traficantes. O estado surgiu como eventual responsável por desmandos através de um comando corrupto. Não sei para que “fechar a discussão”: discutir é sempre necessário.
Vale a pena ver a nova tropa. Não considero a primeira um bom filme mas o diretor é talentoso, claro, tem senso de ritmo e dirige bem seus atores. Não vejo sentido em pensar que esse filme e seus similares apagam o cinema brasileiro anterior: tem chanchadas carnavalescas, tem cinema novo, tem udigrudi, tem porno-chanchada, tem uns meios à margem etc… Ver os novos filmes não é destruir a memória do que foi feito – considero “Assalto ao trem pagador” melhor que “Tropa de elite”.
Abraços a todos e todas:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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