Internet devolveu pluralidade ao debate político

A polarização direita x esquerda se intensifica a medida que nos aproximamos das eleições. Mais do que os programas dos candidatos, principalmente na eleição presidencial, irá prevalecer a luta ideológica. A direita está agrupada na velha mídia: jornais, revistas e TVs. A esquerda armou sua trincheira na internet.

Claro, há exceções e certas nuances nessa divisão, mas no geral esta é a configuração política dominante hoje na imprensa brasileira, que sempre foi conservadora. Não podemos esquecer que ela apoiou com entusiasmo o golpe militar de 64. Hoje é porta voz do reacionarismo de uma classe média em muito parecida com aquela de 64, que saiu às ruas em defesa da família, de deus e da propriedade. Essa classe média, inculta e insensível, tem um preconceito de classe exacerbado e não admite que mexa em seus ancestrais privilégios.

Merecem estudos mais aprofundados a guinada à extrema direita que veículos como Veja e a Folha de São Paulo deram nos últimos anos. De publicações mais ou menos equilibradas e em alguns momentos com rumos editoriais arejados, passaram a uma histeria e manipulações grosseiras contra tudo que seja avanço social. A reação ao Plano Nacional de Direitos Humanos é um dos exemplos dessa nova postura editorial.

Entendo que governos e partidos são passíveis de críticas. Todo governo e partido também abrigam corruptos. Mas a histeria e a parcialidade da chamada “grande imprensa”, explícitas em reportagens e editoriais contra o PT e o Governo Lula, que de santos não tem nada, é bom que se ressalte isso – como todos os governos anteriores também não tiveram – minaram a credibilidade desses veículos.

Eu, que me esforço para ser um jornalista independente e equilibrado (luto verdadeiramente para isso), não sinto interesse em ler a Veja (tenho acesso a todo o conteúdo, via assinatura de um amigo) e desconfio das reportagens da Folha, Estadão, O Globo e Tv Globo contra o governo Lula, o PT e os movimentos sociais.

Para mim – e muitos amigos e conhecidos -, esses veículos citados acima perderam grande parte da credibilidade que haviam reconquistado após o equivocado apoio à ditadura. Um reconhecimento à luta contra a censura pós 68, a campanha das diretas e o impeachment de Collor, para ficar com esses exemplos mais conhecidos. Não esquecendo, porém, que alguns destes veículos deram sua contribuição à vitória do “caçador de marajás”.

Felizmente, o mundo mudou muito e parece que a velha mídia não se deu conta disso. O resultado é a perda de leitores a cada ano que passa. A crise da mídia impressa tem vários fatores, claro, mas talvez o mais decisivo seja a perda de credibilidade.

Felizmente, a Internet devolveu a pluralidade ao debate político, que a velha mídia monopolizava. Não tenho nenhuma dúvida de que a Democracia é quem ganha com isso. Então, viva a Internet.

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