Internet, fim dos impressos e novos paradigmas profissionais (Ou: Uma nova palavra)

Vivemos novos e radicais paradigmas. Todos já sabemos disso. Ou deveríamos saber. O que tem ocorrido no jornalismo (quanto à questão do universo digital, da internet e iminente fim dos impressos) também tem se mostrado na área jurídica, mutatis mutandi. Basta dizer – para exemplificar – que, ontem mesmo (25 de outubro), estive fazendo um curso na Justiça Federal, durante toda a manhã, acerca do denominado PJe (Processo Judiciário Eletrônico), que inicia sua obrigatoriedade para advogados particulares e públicos neste 2012, neste mês de outubro.

Já trabalho, há algum tempo, com cerca de 90% de processos no formato eletrônico (nos Juizados Especiais Cíveis Federais, no sistema denominado Creta, que abrange causas com valores que vão até sessenta salários mínimos). Esse outro sistema, o do PJe, alcançará as causas de maior relevância econômica e social da denominada Quinta Região (parte do Nordeste brasileiro, seis estados, sob a jurisdição do Tribunal Regional Federal sediado em Recife). Ressalte-se que na Justiça do Trabalho (na nossa 21ª Região, sediada em Natal) e na Justiça Estadual também estão sendo tomadas as providências para a implementação definitiva do modelo.

Logo, loguinho, não haverá mais processos em papel no Rio Grande do Norte e no Brasil (o que deverá se espraiar por todo o mundo). E esse fato histórico, com as vestes das novas tecnologias (Themis tem uma balança, uma espada e um tablet nas mãos), traz inúmeras resistências e dificuldades para os profissionais mais tradicionalistas e os que ainda não se inseriram, em definitivo, no mundo dos computadores (conheço alguns advogados que ainda estão na fase da máquina de escrever). Há, ainda, a questão da acessibilidade da Justiça e demais garantias aos jurisdicionados e outras questões relevantes que o tema envolve, inclusive de segurança de dados, lixo eletrônico, dentre outras.

Mas, tudo isso se mostra inexorável. É um fenômeno a ser estudado, compreendido e assimilado. As caravelas foram queimadas e é o “admirável mundo novo” que nos bate à porta. Ou a arromba, ainda não sabemos. Principalmente, para os operadores da palavra (inclusive na Literatura). Nisso tudo (seja no Jornalismo ou no Direito etc), resta uma certeza: notícias sempre haverá a se fazerem conhecidas, poemas a serem ditos, direitos a merecerem garantias, preservação e defesa. E outro e outro mistério sempre há de pintar por aí…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Lívio Oliveira
    Lívio Oliveira 5 de Novembro de 2012 13:25

    O poeta Jairo Lima me anuncia que está com blog novo no ar: http://www.jairolima.org

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