Intervenção fotográfica ‘Canto de Muro’ se baseia em romance de Cascudo e retrata “êxtase do lugar-comum”

O Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, em comemoração a 13ª Semana dos Museus, promove a intervenção fotográfica ‘Canto de Muro’, da artista plástica e fotógrafa Angela Almeida. Será nesta terça, às 16h, na sua sede localizada à Av. Câmara Cascudo, 377, Cidade Alta. A obra ficará exposta de maio a julho. O Instituto se encontra aberto para visitação de terça a sábado, das 9h às 17h. A Bilheteria fecha às 16h30.

A série fotográfica se define como uma leitura estética do romance de costumes ‘Canto de Muro’ escrito pelo pesquisador e escritor norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo. O romance foi publicado pela primeira vez em 1959 e tem edição atual pela Global Editora (2006, São Paulo), responsável pela republicação das obras do autor.

A intervenção é composta de 42 fotografias ampliadas no tamanho de 88 x 1,20 cada, que estarão expostas no muro lateral interno do Instituto, logo ali na entrada, compondo um mural em que se destaca o universo ficcional do romance. Quem explica melhor é a própria Ângela Almeida, também uma colega jornalista. Mais abaixo, mais algumas fotos da intervenção.

por Ângela Almeida

Desde a primeira leitura do livro Canto de Muro (Câmara Cascudo), há um tempo atrás, o desejo de produzir algo com imagens me instigou a chegar hoje nesta série fotográfica. O êxtase de um lugar-comum como um simples quintal e seus moradores (insetos e animais), parte deles quase invisíveis e que Cascudo os vai ampliando e desafiando os limites entre natureza e cultura, me fascina até hoje.

Aqui, a fotografia denota quase uma artesania: fui misturando técnicas e, por meio de colagens, fui produzindo intervenções. O desfoque, a aparência de mal acabado, quase rascunhos de imagens em cada fotografia, tudo isso foi proposital com a intenção de me aproximar do imaginário criativo do autor quando escolheu o quintal, lugar dos fundos, dos restos, como cenário de seu romance.

Não há aqui certezas nem a pretensão de uma leitura literária ou sociológica. Deixei-me ser apenas guiada pelos desejos de expressão tendo, nas mãos, uma câmara fotográfica. Os objetos (sineta, caderneta de anotações, chinelos, charuto, cinzeiro, taça, copo…) de propriedade do autor, do seu cotidiano, estão aqui retratados e misturados com imagens representativas dos insetos, bichos e natureza, elementos do seu mundo ficcional. O meu guia foi o afeto à arte.

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Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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