INTIMAÇÃO

Por Carlos Gurgel

procuro por mim
como se fosse
um cão sem dono

como se fosse
uma lanterna
que turva
sábados e falecimentos

procuro por mim
na poltrona
de uma casa vazia
sem móveis, cortinas, fantasias

procuro por mim
como se fosse
um animal em extinção
que na última hora
se entristece
e some

procuro por mim
ao redor
do o que mundo me oferece:
cordas, seringas e poentes

e
como um homem falso
rio
de mim
e de tudo
que me olha.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Tânia Costa 2 de julho de 2011 22:25

    Muito boa Carlos! Desterritorialização de si mesmo!

  2. João da Mata 1 de julho de 2011 16:11

    Gurgel, amigo
    Seu cão sem dono, me remete a um dos mais belos poemas em Língua Portuguesa,

    Cão Sem Plumas / JCML

    ESSA SUA PROCURA É O ONDE DE JOÃO CABRAL, D´ ACCORD ?

    Como o rio
    aqueles homens
    são como cães sem plumas
    (um cão sem plumas
    é mais
    que um cão saqueado;
    é mais
    que um cão assassinado.
    Na paisagem do rio
    difícil é saber
    onde começa o rio;
    onde a lama
    começa do rio;
    onde a terra
    começa da lama;
    onde o homem,
    onde a pele
    começa da lama;
    onde começa o homem
    naquele homem.

  3. Paulo Procópio 1 de julho de 2011 15:52

    Boa, Carlos.

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