A inusitada história do jornalista-filósofo que é carteiro em Natal

Na minha saudosa época de editor de revistas literárias, um perfil com esse carteiro renderia belíssima matéria. Mas, onde estão as revistas? É uma figura tão curiosa quanto Helmut, o Carteiro de Cascudo, do qual há livro editado pelo Sebo Vermelho e este blogueiro mesmo o entrevistou por duas vezes em matérias publicadas no Diário de Natal e O Poti. Por ora, fica o texto do jornalista John Nascimento, que com a perspicácia do ofício, descobriu esse outro carteiro filósofo e fez esse registro:

por John Nascimento

Já imaginou debater sobre política, psicanalise, religião e filosofia enquanto você recebe sua conta da TV à cabo na porta de casa?

É isso que acontece quando se tem o privilégio de ter como carteiro esse caicoense de 41 anos, Francisco Canindé. Formado em jornalismo pela UFRN, já foi professor de inglês, militar da aeronaltica e hoje dedica sua vida aos estudos teológicos, psicológicos, políticos e sociológicos, além, é claro, de entregar a sua caríssima conta de energia.

Canindé, como gosta de ser chamado, faz das longas caminhadas verdadeiros momentos de reflexão para traçar suas linhas de pensamento filosófico para os livros que publica.

Com influencias de Freud, Marx e Jesus Cristo Canindé já expôs suas ideias em três livros, ‘Fé x Razão ou Fé + Razão’, ‘Há algo errado no Paraíso’ e ‘A psicanalise da Religião’, que é um estudo sobre Freud e Religião. A próxima publicação já está em produção e se chama, ‘Verdadeira Sociologia da Vida’ em que o autor tenta provar que a bíblia tem mais ideias socialistas do que a própria doutrina de Marx.

Sobre a relação do seu emprego como carteiro e seus ideais filosóficos, Canindé não vê isso como um fato muito relevante e nem tem planos de deixar de ser carteiro ou ganhar mais.

“Essa questão do trabalho braçal e o trabalho intelectual é um tabu da nossa sociedade. Não entendo onde uma coisa interfere na outra. Todos temos que trabalhar e pensar”, afirma o carteiro, que também assina uma coluna em um pequeno jornal de Parnamirim.

Com o emprego de carteiro, Canindé cria sua filha e se orgulha quando ela chega em casa contando sobre discussões que teve em sala de aula sobre assuntos como a origem do universo. “Daí a diretora chegou na sala de aula e disse: Gente! Ou vocês acreditam na ciência ou na religião”, conta.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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