Irão aumenta censura sobre produção de cinema

“No festival de Cannes, a ausência mais notada tem sido a do realizador iraniano Jafar Panahi, autor do filme “O Círculo” (Leão de Ouro de Veneza, em 2000). Panahi fora convidado para integrar o júri, mas está preso desde Março por querer realizar um filme sobre as eleições iranianas. Agora, Teerão proíbe a exibição livre de filmes de realizadores iranianos em festivais internacionais.

Cannes tem reclamado a sua libertação, mas não só é improvável que tal venha a acontecer, como o governo iraniano continua a adoptar medidas para restringir a liberdade criativa dos artistas. Hoje, o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica anunciou que serão castigados os cineastas que exibam os seus filmes em festivais e salas no estrangeiro sem uma licença especial.

“Sem os documentos, os filmes não terão autorização para deixar o país, sob pena de sanção de um ano e proibição de filmar”, advertiu o vice-ministro da Cultura para assuntos cinematográficos, Javad Shamaqdarii. A restrição tem como objectivo impedir a exibição de filmes iranianos que possam manchar a imagem do Irão no exterior.

“Os nossos cineastas podem dialogar com o nosso povo através dos seus filmes, mas devem estar de acordo com os interesses nacionais. Não podem estabelecer comunicação com outros países sobre assuntos tão sensíveis” foi dito pela mesma fonte.

Cineastas e críticos denunciaram a medida como mais uma tentativa das autoridades para censurar e controlar uma indústria que, apesar das restrições, conseguiu ganhar o seu espaço no mundo do cinema, com dezenas de prémios internacionais. Pelas normas actuais, antes de qualquer rodagem, é necessária uma autorização do Ministério e depois solicitar outra permissão para a distribuição no Irão. Agora será necessária uma outra licença para o exterior”. (Público)

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