J. D. Salinger e eu

Chico Guedes,

Li há alguns anos e não me impressionei com “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Salinger. Quando leio comentários entusiasmados como o seu fico até constrangido. Parece-me, no entanto, que estamos diante de uma obra sem meio termo. De um lado os fãs incondicionais e ardorosos, que chegam a colocar a obra como uma das melhores de toda a literatura. Do outro, os indiferentes – como eu – ou críticos. Não quero colocar a culpa pelo meu pouco entusiasmo na tradução. Mas, depois do que você disse, passei a admitir uma releitura do livro, reeditado recentemente. Acredito que com nova tradução. Depois li também do autor “Pra cima com a viga, moçada!” e “Seymour: uma introdução”, novelas editadas pela velha Brasiliense, se não me engano. A novela “Pra cima…” foi em anos recentes reeditada com outro nome, “Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira”. Tive a mesma recepção fria com relação a ambas. O que reforça em mim o sentimento de que o problema pode ser pessoal, muito mais de limitações para apreender a obra do escritor, do que relacionado à tradução. Gostei muito das suas observações sobre a tradução do livro, que sem forçar a barra, pode muito bem ser estendidas a muitas traduções feitas no Brasil.

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