Jardim de borboletas

Por Maria Fabiana M. de Holanda, Lindomar Pereira Cruz, Silvia kerne Vicente Alves *

Assistimos, hoje, estupefatos e com certa indignação um documentário (A Ilha das Flores) baseado em fatos reais e rodado na capital gaúcha, Porto Alegre, mais precisamente em um lugar chamado Ilha das Flores. Um lugar com esse nome, certamente, nos remeteria a um paraíso, mais ao contrário do que se pensa, mais parece com uma sucursal do inferno.

No filme são mostradas mulheres e crianças convivendo com urubus e recolhendo restos de alimentos num grande lixão a céu aberto que não foram sequer destinados aos porcos. Mas esse não é um problema que ocorre só no estado gaúcho. Aqui mesmo, na nossa cidade, Natal, capital do Rio Grande do Norte, que tem a frente uma representante do Partido Verde e que prega como ideologia a preservação do meio ambiente acontece o mesmo.

Essa realidade a qual vivenciamos por meio do documentário – Ilha das Flores – se faz recorrente não apenas na nossa capital, mas também em outros lixões no interior do estado. Para tanto, basta olharmos o problema que aconteceu, recentemente, no antigo lixão de Cidade Nova, que esteve em vias de ser reativado por causa de problemas originados pela má administração pública municipal, ainda que a prefeita negasse o fato.

Sabemos que isto não é verdade, pois apesar de tentar encontrar desculpas e atribuir responsabilidades a terceiros ela não pode ir contra as evidências. Para comprovar o que se diz, basta que se analise a carga de impostos a que somos subjugados e que por si só poderiam custear pelo menos os serviços básicos. O que ela não fez quando deixou de honrar os contratos com as empresas de coleta de lixo.

O fato é que existem duas perguntas que não querem calar nesses momentos: onde estão os órgãos que tem a responsabilidade de fiscalizar o uso dos recursos públicos? Por que, fora do período eleitoral ninguém houve falar em lei de responsabilidade fiscal?

O problema ao que parece foi momentaneamente resolvido quando foram retomados os pagamentos, mas na realidade nem deveria ter acontecido.

Esse é mais um caso de assunção de um partido até então pouco conhecido, pelo menos na nossa cidade. E essa nos parece não passar de uma ideologia platônica de que apenas ideias sejam capazes de resolver nossos problemas. Contudo, devemos nos acordar para a realidade imediatista da resolução do problema do lixo e ver que ela se dará apenas por meio do cumprimento dos contratos como já foi comprovado na parcial resolução do “lixão” e com assistência social para os seres humanos que co-habitam a repugnância inexorável dos detritos urbanos.

* Graduandos do curso de Letras da UFRN.

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