Jaz

caminho-piano

Os dias passam lentamente…
Na minha lente embaçada.

Neste muro de cal
Vejo a bandeira da interrogação
E a procissão dos mortos.

De vagar, caminham sombras
Tão lentamente que o que se move
Não tem vida.

Neste muro de cal, areia e sal.
De noite é dia, de manhã; ontem
E a tarde jaz.

(Ednar Andrade).

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Ednar Andrade 4 de agosto de 2011 14:31

    Mestre, que bom encontrá-lo também aqui, nesta nossa casa de portas e janelas imensas: plural e singular. Aqui onde desfrutamos de tanta amizade. Já sentia saudades.

  2. Ednar Andrade 4 de agosto de 2011 14:22

    Querido, Jarbas. É bem verdade que não quero causar, a ninguém, dor. Mas é também outra verdade que a poesia, nem só de prazer é sentida, mas também de dor. E quantas vezes o poeta canta quando chora. É assim, chorando ou cantando, digo verdades. E por falar em Amy Winehouse, foi visível a verdade que escorria da sua dor. Dói mais ainda saber que, às vezes, infelizmente, é preciso morrer para deixar um eco de dor no ar.

    Abraço, querido.

    Que o meu canto ou o meu lamento chegue ao teu ouvido, enquanto viva.

    Carinho.

  3. Jarbas Martins 4 de agosto de 2011 13:49

    faltou dizer aqui uma coisa,Anne,Ednar e Gildete: Amy Winehouse é, antes de tudo,é verdadeira.

  4. Jarbas Martins 4 de agosto de 2011 12:23

    um dia, querida Ednar, eu disse à nossa querida Anne – que entre a dor e o poema, eu fico com a dor.este texto poético(jaz),,Ednar,..como dói!
    falar em dor,ontem à tarde, ouvi com Gildete a dolorida e bela voz de Amy Winehouse.dilacerante.beijos pras três.

  5. Ednar Andrade 3 de agosto de 2011 22:36

    Sim, Lilás, sempre lês as entrelinhas… Com sabedoria e sentimento, verdades, palavras. Como se conhecesses os caminhos destes versos. Beijos, amiga.

  6. Anne Guimarães 3 de agosto de 2011 13:15

    Anil, amada….
    Será que leio essas entrelinhas?
    Palavras-verdades ecoando como se o caminho dessa imagem fosse logo ali…. e eu pudesse passar e chegar onde existem respostas.
    Gostei dos versos… gris em mais profundo tom.
    Um abraço apertado, com saudades verdíssimas.
    🙂

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