Jogo que segue

Por Janio de Freitas
FSP

Dilma vive uma experiência talvez única – ainda no 1º ano de mandato, faz uma reforma ministerial forçada

ANTONIO PALOCCI, Nelson Jobim, Alfredo Nascimento, Orlando Silva -todos indicações de Lula para o ministério de Dilma Rousseff. Uma seleção, cada qual com seu estilo, como é próprio das seleções e, no caso, também do que o selecionador já mostrara preferir para a principal equipe do país.

Dilma Rousseff vive uma experiência talvez única por aqui. Ainda no decorrer do primeiro ano de mandato, faz uma reforma ministerial forçada e não por injunções políticas, razão comum a tais reformas, nem de eficiência governamental.

Orlando Silva (ainda) não está incluído na reforma. Está previsto que logo mais dê explicações à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Sobre as acusações que lhe faz um PM metido em transações com o Ministério do Esporte, já se sabe o que dirá: o óbvio.

Nenhum ministro é culpado. O que ocorre com certa frequência, é ser um deles vítima de calúnia, injúria, difamação. Um deles, bem entendido, atrás do outro. E seguido por outro. Há muita gente de más intenções, mesmo.

Já que Orlando Silva é o nome da vez, vale a pena fazê-lo prestar o serviço, se não for demais, de proporcionar uma ocasião propícia.

Por exemplo, para lembrar que até hoje não se sabe o que é feito na área de esporte, pelo governo, a ponto de justificar um ministério.

Se vêm por aí uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, não haveria melhor justificativa, a encontrar uma afinal, para ver-se o Ministério do Esporte em atividade.

Não. Cada um dos eventos foi entregue à cartolagem de incontáveis comitês, “Autoridade Olímpica”, CBF, comissões, confederações e federações, governadores e prefeitos, dirigentes de clubes e respectivos estádios. E, em qualquer instância e circunstância, diretores de empreiteiras.

O esporte em geral tornou-se um mundo de grandes negócios. Movimenta transações incontáveis com valores petrolíferos, em um espaço subterrâneo, sem fiscalização, de bandidagem livre, falcatruas e extorsões e golpes à vontade.

É só querer. Tudo, absolutamente tudo, consentido pelo Ministério do Esporte, ou protegido, ou com sua participação, a depender do que se trate.

Não há surpresa alguma em que se criem ONGs para assaltar o Tesouro Nacional a pretexto do esporte, conforme o noticiário provocado por Orlando Silva, e que o próprio ministério seja um ponto de cruzamento das diferentes modalidades de corrupção.

No centro desse mundo encoberto, o Ministério do Esporte e seu ministro não providenciaram nenhuma medida de governo e não propuseram ao Congresso nenhuma lei de moralização, de impedimento de feudos, investigação de enriquecimentos injustificados, sonegações como alegados patrocínios a atletas e competições, prevenção de negócios com seleções nacionais, e muito mais ainda.

Você pergunta sobre o jornalismo esportivo nisso tudo? Como dizem nele, segue o jogo.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Jóis Alberto 19 de outubro de 2011 12:21

    Nem a Record é isenta, nem a Globo, nem mesmo a “Carta Capital” e muito menos a “Folha de São Paulo”, “Estadão” e qualquer outro veículo de comunicação social do Brasil ou de outras partes do mundo. Raramente eu assisto a algum programa da Record – acho que uma ou duas vezes eu assisti, durante alguns minutos, ao Programa de Tom Cavalcante, especialmente para assistir as piadas bregas e de circo mambembe de Tiririca, que é, na minha opinião, o maior palhaço ‘naif’ do Brasil na atualidade. Tão popular, a ponto de ter sido um dos parlamentares eleitos mais bem votados no País, gerando os mais diversos tipos de comentários, notadamente críticas de anti-democratas dos mais variados naipes, que viram, então, uma boa oportunidade de criticar a democracia. Esquecem, esses anti-democratas, que uma das regras fundamentais, segundo o grande Norberto Bobbio, é a de que a democracia é o regime da maioria e que o Estado Liberal é o suposto histórico-jurídico do Estado Democrático. Socialista-liberal, Bobbio argumenta ainda que uma das características da democracia é estar sempre em transformação: o seu estado natural é a dinâmica, enquanto que no despotismo predomina a estática, sempre igual a si mesmo; que o direito e o poder são faces da mesma moeda e que somente o poder cria o direito, e só ao direito cabe limitar o poder, dentre outras teorias políticas que ele defende, em livros como “O futuro da democracia – Uma defesa das regras do jogo”, que pode ser facilmente encontrado nas boas livrarias, em bibliotecas e no google acadêmico. Uma das lições mais importantes do bom jornalismo é a de que o jornalista profissional honesto e ético deve lidar, no noticiário, com as mais variadas ideologias; deve ouvir os dois lados (!) – ou outros lados a mais, se estes existirem – da notícia; se basear em fatos reais relevantes, etc. E Mino Carta, o dono e editor geral da “Carta Capital” sabe disso: a revista dele tem tanto articulistas à direita, como Delfim Netto – um homem de confiança no governo militar de 64 -, como à esquerda, como Luiz Gonzaga Beluzzo, certo? -, por isso, a linha editorial da revista dele veicula tanto notícias favoráveis às políticas do governo, como também faz críticas contudentes, como no caso dessa recente polêmica em torno de Cesare Battisti, etc. Nesse sentido, considero que, regra geral, o jornalismo da Globo procura noticiar com profissionalismo, mas também, sem dúvidas, outras tantas vezes promove campanhas contra o governo, seja em notícias como essa atual acerca do Ministério do Esporte, veiculada inicialmente no “Fantástico” de domingo passado, acompanhando a “Veja”, seja através de comentários de ‘âncoras’, como William Waack, no “Jornal da Globo”. Assim, o fato é que, para se contrapor à Globo, a Rede Record de TV – essa mesma, do polêmico Bispo e empresário Edir Macedo – conta, em seus quadros, com jornalistas – Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, dentre outros -, bastante críticos da emissora dos Marinho, e das publicações dos Civita, Frias, Mesquita e outras oligarquias da grande imprensa brasileira. Então, com bastante pragmatismo, muitos tem recorrido à Record, para se contrapor aos abusos da Globo. Isso não quer dizer, pelo menos na minha opinião, que eu confie, ou mesmo, como jornalista profissional diplomado que sou, fosse trabalhar para Edir Macedo – mas este também é outro fato irrefutável: Edir Macedo não é menos ético ou menos confiável do que os outros barões da mídia assinalados.

  2. Agemiro Soares 19 de outubro de 2011 8:45

    A Record isenta? De quem é a Record? Quantos processos responde? Ela é filhote da Globo. Em história e caráter. Conte outra.

  3. Jóis Alberto 19 de outubro de 2011 0:42

    Independente das investigações das denúncias de irregularidades no Ministério do Esporte, um fato merece ser investigado: a ‘coincidência’ de ‘pautas’, na mesma data, entre a “Veja” e o “Fantástico” da Globo no último final de semana. Será uma espécie de ‘cartel’ de campanhas com denúncias, sem as respectivas provas?

    A lição do bom jornalismo é: só se deve acusar alguém quando existir não apenas evidências, mas provas consistentes. A tal fonte que acusa o ministro Orlando Silva poderia ter procurado, além da “Veja” e o “Fantástico”, poderia ter procurado, na mesma ocasião, por exemplo, a revista “Carta Capital” e telejornais da rede Record, veículos que tem feito uma cobertura jornalística imparcial e independente em relação ao governo, não é isso? Mas por que ele deu entrevista apenas à “Veja” e ao “Fantástico”? Evidentemente, porque a intenção dele, e dos jornalistas que editaram as matérias na revista e no programa de TV citado, não era a de fazer jornalismo ético e imparcial. A intenção era, e é, a de fazer campanha sistemática contra o Governo Dilma, ao PT e aliados, em especial partidos aliados de esquerda, como o PCdoB, e ao ex Presidente Lula, e essa fonte teria dificuldades, na “Carta Capital” e possivelmente na Record, de alcançar seus objetivos: acusar sem provas e denegrir reputações.

    Escolheram o Ministério do Esporte, não só porque atacam o PCdoB, mas principalmente pelos bilionários orçamentos que este Ministério deverá movimentar nos próximos anos, para viabilizar grandes eventos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o que desperta a cobiça e inveja de políticos e empresários que não estão participando diretamente desses grandes empreendimentos. Vocês acham mesmo que Jânio de Freitas questionaria a necessidade da existência do Ministério do Esporte, caso o governo federal fosse, atualmente, administrado por políticos do PSDB e do DEM, principalmente políticos de São Paulo?

    De qualquer modo, apesar de eu ser simpatizante do PCdoB, considero que a Presidenta Dilma deve cobrar, cada vez mais, a esse partido e à atual gestão do Ministério do Esporte, uma transparência cada vez maior e rigorosa apuração dos fatos… Infelizmente, acho muito difícil o ministro Orlando Silva permanecer no cargo por muito tempo, não por falta de méritos e competências, mas porque a oposição não dará tréguas… Exceto, se durante, e ao final das investigações, não aparecer nenhuma prova cabal!

    PS – O jogo segue sim, Jânio de Freitas, mas até quando jornalistas da “Veja”, da Globo, da “Folha de São Paulo” e do “Estadão”, dentre outros, vão continuar desrespeitando não só as regras do bom jornalismo, mas principalmente até quando continuarão desrespeitando, impunemente, as regras do jogo democrático? Sim, porque manipular fatos, versões, acusar sem provas, agir com parcialidade, atacar sistematicamente em campanhas difamatórias, tentar desestabilizar governo, etc, tudo isso não é apenas um desrespeito, mas um grande atentado à democracia?

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