Jorge Luis Borges

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“Se ainda há escritores novos que dizem que “não leem nada”, deveriam, mais uma vez, se envergonhar e ler Borges. Se os seus contos parecem escritos por um deus, que não pode ter sido concebido entre nós (humanos), sua autobiografia, relançada pela Companhia das Letras (“Ensaio Autobiográfico”), indica que o milagre aconteceu… dentro de uma biblioteca. Borges era o funcionário obscuro de uma biblioteca desimportante em Buenos Aires, mas leu, leu, leu – como ninguém mais. E, quando foi escrever, andou sobre as águas… Descobrimos isso porque, aos 70 anos, ele decidiu compor esse “ensaio autobiográfico”, que foi, em seguida, publicado na revista New Yorker. Além de ter lido como os escritores contemporâneos nem sequer sonharam, Borges escreve sobre si mesmo com uma honestidade sem par – principalmente numa época de celebridades, onde aparecer é mais importante do que ser. Borges teve a sorte de não conhecer a vulgaridade da televisão; porque ficou cego antes… Tinha horror à política (“Subiu ao poder um presidente cujo nome não quero lembrar”); e um senso de dignidade igualmente extinto (“Para que apresentar-me a um homem que eu não cumprimentaria?”). Borges fala, naturalmente, de suas leituras. De sua preferência pelo conto, em lugar do romance. Rememora as poucas relações que, para ele, importaram. Com seus familiares; especialmente sua mãe. E com alguns poucos escritores; acima de todos, Adolfo Bioy Casares – que o tornou mais “clássico”… Borges ainda recorda os bastidores da escrita de algumas de suas obras-primas. Aponta os livros preferidos, seus. E explica como seguiu escrevendo depois que a cegueira se instalou. Admite a fatalidade sem drama, com uma altivez, novamente, rara, na época contemporânea… Para quem esqueceu o que é literatura – e acha que está inventando alguma coisa –, Borges não é uma recomendação, é uma obrigação.” JULIO DAIO BORGES – Digestivo Cultural

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