O jornal O Galo será reeditado e já tem data para publicação!

Em uma cidade carente de publicações literárias, a notícia da volta do tradicional O Galo é um alento. Muito embora este blogueiro simpatize mais com aquele misto de material jornalístico aos gêneros literários, estilo Preá, Brouhaha ou, mais recentemente, a Palumbo.

O Galo será composto tão somente de crônicas, poesias, ensaios e tal. Nenhuma matéria jornalística. Mas quando se tem nomes como Carmem Vasconcelos, Iracema Macedo, José de Castro e Roberto Lima já na primeira edição, esse “tão somente” cai por água abaixo.

O Galo será editado pelo bom e velho Carlão de Souza, tendo ainda a figura também competente do jornalista Aílton Medeiros na análise e definição de conteúdo. O formato é de tabloide, estilo Nós do RN. Também será em preto e branco. A data provável de publicação será dia 17 de outubro, com regularidade bimestral.

A iniciativa é da UBE/RN, que estabeleceu parceria com a Fundação Zé Gugu para edição e impressão. Boa parte do conteúdo da publicação será fornecido pela UBE. Esta primeira edição já está sendo produzida e conta ainda com o material fotográfico de João Maria Alves.

Bom ressaltar que o jornal O Galo marcou época na história literária potiguar a partir da segunda metade da década de 80. A publicação alcançou seu auge com a edição da poetisa Marize Castro, mais ou menos nessa época, mas sei que passou também pelas mãos de Nelson Patriota. Era publicado pela Fundação, mas a marca, hoje, pertence à UBE.

A essência do jornal será mantida: formato tabloide, em P&B, recheada de colaborações e com as mesmas 28 páginas. É a intenção do editor. E nisso mora o charme, a nostalgia, mas em um universo tão digital, tão moderninho, não sei se cabe mais esse modelo. Vamos ver.

Fato é a importância dessa volta, desse resgate d’O Galo não só pela buraco deixado pelo fim das outras publicações. Mas também pela marca impressa ao longo de décadas e, talvez principalmente, pela distribuição do jornal. Hoje temos a Revista da ANL, também muito bem editada, mas presa nas paredes seguras da Academia.

Então, vida longa ao O Galo!

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 18 comentários para esta postagem
  1. silvan 14 de março de 2016 1:23

    muito boa notícia.

  2. Ednar Andrade 8 de outubro de 2015 14:19

    Não precisa agradecer, querido. Nós amamos você e eu me preocupo muito com seu bem-estar, com sua saúde. Vai ficar tudo bem. Saudades.

  3. marcos silva 5 de outubro de 2015 18:08

    Agradeço a Ednar pela preocupação com minha saúde, beijos para vc e toda a família.

  4. françois silvestre 3 de outubro de 2015 18:28

    É verdade. Quem cobra é cobrador e quem paga é pagador.

  5. Marcos Silva 3 de outubro de 2015 13:46

    PS – Não COBREI informações, apenas opinei. Quem cobra é cobrador.

  6. Marcos Silva 3 de outubro de 2015 12:29

    François:

    Meu silêncio corresponde a internação hospitalar (forte cefaleia, suspeita de AVC, exames e mais exames). Sempre elogiei Preá. Nunca dirigi instituições do porte da FJA, evito comentar finanças e outros tópicos que conheço muito superficialmente. Sempre fui grato a vc pelo apoio à publicação do DCCC, inclusive em público, no lançamento do livro.
    Sobre a internação hospitalar, estou melhor, obrigado, não foi AVC.

  7. françois silvestre 2 de outubro de 2015 15:49

    O silêncio de Marcos Silva, após cobrar informação, assemelha-se ao silêncio da mídia cultural. Tudo bem, já tô acostumado!

  8. françois silvestre 30 de setembro de 2015 4:34

    Inclusive, Marcos, também foi a fórceps que consegui recursos para a coedição do seu Dicionário Crítico de Câmara Cascudo, cuja promessa de publicação dormia na gaveta há vários anos.

  9. françois silvestre 30 de setembro de 2015 4:24

    Olha, Marcos, nunca neguei o valor literário d’O Galo. Inclusive expus, na época da criação da Preá, uma explicação irrespondível sobre a impossibilidade financeira e de recursos humanos para a manutenção de dois veículos. Não extinguimos O Galo. Apenas suspendemos a sua publicação. E o fizemos claramente, com explicação pública. A Revista Preá tinha o objetivo de integração cultural do RN, rompendo ilhas. Em cada número, duas cidades de regiões diferentes eram expostas à visitação pública do restante do Estado. Descobrimos coisas incríveis, como por exemplos afinidades culinárias de Caraúbas com Parelhas; musicais de Lucrécia com Cruzeta e uma infinidade de outras descobertas que reduziram distâncias de informações culturais. Sem prejuízo de colaborações literárias, eruditas ou intelectuais. Mantivemos a regularidade editorial, conseguindo recursos a fórceps. Já tínhamos um projeto de expandir essa quebra de ilhas no Nordeste, incluindo cidades de outros Estados. Infelizmente, caí. E os fatos são conhecidos. Não vi nenhuma “luta” midiática para a manutenção da Preá. Nem vibração sobre sua ressurreição. Nada. A verdade verdadeira, sem salamaleques, é que aquele trabalho estava incomodando. Quem? Kakakakakak…

  10. Marcos Silva 28 de setembro de 2015 8:37

    François, minha visão do jornal O Galo é de leitor e eventual colaborador, diferente da sua, que é a de um Presidente da FJA e pode nos informar sobre aspectos menos visíveis daquela experiência. Lembro-me de boas entrevistas, poemas e comentários críticos de qualidade. Quanto a sobras de edições, nada posso dizer, sei que alguns jornais promovem, hoje em dia, atividades de leitura em escolas e instituições similares como forma de educar novos leitores.

  11. Marcos Silva 27 de setembro de 2015 14:17

    François, como não moro em Natal, ignoro a situação atual de Preá, que considero uma revista bonita, bem editada, com um conteúdo de bom nível. Ela não sairá mais?

  12. françois silvestre 26 de setembro de 2015 19:47

    Sem falar que a Preá nunca boiou. Mas era uma publicação popular e democrática, sem o democratismo hipócrita da elite “intelectual” da decoreba de erudição. Preá é coisa nossa, desde o bicho. Galo é português da colonização. A Preá, que ninguém cobra, era uma cobra no calcanhar da estupidez cultural. Foi aos grotões do nosso povo, nas suas origens e atropelos. Continuamos culturalmente colonizados. E imbecilizados, mas imbecis cultos. Imbecis eruditos!

  13. françois silvestre 26 de setembro de 2015 19:34

    Um Galo, alguns cantos, edições sobrando nas prateleiras, literatura vasta e leitura escassa, bóia…bóia. Hipocrisia!

  14. João da Mata 25 de setembro de 2015 14:50

    Tecendo a manhã

    Um galo sozinho não tece uma manhã:
    ele precisará sempre de outros galos.
    De um que apanhe esse grito que ele
    e o lance a outro; de um outro galo
    que apanhe o grito de um galo antes
    e o lance a outro; e de outros galos
    que com muitos outros galos se cruzem
    os fios de sol de seus gritos de galo,
    para que a manhã, desde uma teia tênue,
    se vá tecendo, entre todos os galos.

    E se encorpando em tela, entre todos,
    se erguendo tenda, onde entrem todos,
    se entretendendo para todos, no toldo
    (a manhã) que plana livre de armação.
    A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
    que, tecido, se eleva por si: luz balão.

    João Cabral de Melo Neto

  15. Roberto Cardoso (Maracajá) 25 de setembro de 2015 9:48

    Galos e Gargalos

    Quando identificamos um gargalo como um problema, identificamos também um galo a cantar. tal como os galos cantam anunciando um novo dia, que poderá solucionar os outros problemas de um outro dia, que ficou atravessado, preso por um gargalo…

  16. Bethânia Lima 25 de setembro de 2015 9:38

    Notícia maravilhosa! Um espaço para o resgate da cultura e apresentação do atual. Que “O Galo” cante em bom som, por muito tempo! Quando era aluna de jornalismo, eu garantia os meus exemplares, na recepção da Biblioteca Zila Mamede. Vi na programação da FLiQ Natal, o lançamento previsto para o dia 15, às 17h30min – no stand da Fund. José Augusto.

  17. Marcos Silva 25 de setembro de 2015 9:19

    Essa notícia é ótima, lembro de ótimas edições desse jornal.

  18. João da Mata 25 de setembro de 2015 9:15

    Caros colegas, Muito boa essa noticia. Gostaria de saber o endereço para envio de contribuições.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo