José Arthur Giannotti: “FHC não defende abandono do povão”

Por Ana Cláudia Barros
no TERRA MAGAZINE

Amigo de Fernando Henrique Cardoso, o filósofo José Arthur Giannotti sai em defesa do ex-presidente, bombardeado até mesmo por lideranças do próprio PSDB, após a publicação do artigo “O papel da oposição”, na revista Interesse Nacional. No texto, o tucano recomendou que a oposição deveria se voltar menos para o “povão” e investir mais na “nova classe média”, desencadeando uma polêmica.

Giannotti refuta a interpretação de que Fernando Henrique teria proposto o abandono das classes mais pobres e sugere que houve má-fé na leitura que muitos fizeram do artigo. Dizendo-se “espantado com a reação da mídia”, o professor sustenta que o texto é “uma enorme e brilhante agenda de como deve se comportar a oposição”.

– Neste ponto de vista, focar nas classes médias não significa abandonar de forma nenhuma o povão, porque eleição se ganha com o povão. O povão é tão brasileiro quanto qualquer outra classe, mas significa ter uma estratégia para chegar a todos os brasileiros – afirma, completando a explicação:

– O artigo diz que para se fazer uma oposição ao governo Lula, não podemos começar a tentar competir com ele nas benesses do povão, porque isso o governo Lula tem mais instrumentos e não nos adianta. O artigo diz que é preciso entrar com uma clarificação das intenções e dos processos desse assistencialismo. Isso é possível, na medida em que nós cooptarmos e entrarmos num diálogo com as novas classes médias, para chegarmos ao povão, mostrando quais seus reais interesses. Então, não tem nenhum abandono do povão. Isso é má fé, sim.

Na análise de Giannotti, o momento é de oposição cerrada, com posições bem delineadas.

– O artigo do Fernando Henrique é muito interessante na medida em que esclarece que se houver oposição, ela tem que ser oposição. Não pode ser, de modo nenhum, simplesmente uma adesão com afastamento. O problema é mais sério, porque a adesão com afastamento deixa que o governo não pense nas soluções que ele está fazendo. Isto é, a adesão com afastamento significa simplesmente não questionar e, portanto, não melhorar a ação governamental. Ora, ninguém está interessado que a Dilma se estrepe. Estamos interessados que Dilma seja levada a fazer uma política de democratização do País e de integração do povão na política nacional através de sua participação, e não da sua compra.

Indagado se a afirmação de que não se pode competir com o governo Lula “nas benesses do povão” não seria uma forma de jogar a toalha, o professor rebate e volta a mira para Gilberto Kassab, que recentemente abandonou o DEM para fundar o PSD, em franco flerte com o governo Dilma Rousseff (PT).

– Jogar a toalha é o que está fazendo o PSD, é o que estão fazendo alguns pessedebistas, simplesmente entrando num jogo de serem cooptados pelo governo. Você faz uma oposição de fantasia para receber uma benesse qualquer e, na hora de se contrapor politica e ideologicamente ao lulopetismo não o fazem. A figura desta situação de ambiguidade, e vamos dizer claramente, desta traição ao Brasil, porque quem deixa de fazer oposição ou posição esclarecedora é um traidor, é o Kassab. Quer dizer, vem para confundir – critica.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. ricardo silveira 16 de abril de 2011 1:56

    Ao cientista político falta senso de oportunidade, intuição. Politicamente são, em regra, uns beócios e o FHC não foge à regra. Penso que o PSDB morreu junto com o neoliberalismo. Parece crítica repetitiva e é, mas explica a falta de rumo do Partido. A única alternativa ao PSDB é ser mais esquerda que o lulismo, o que não é difícil, mas isso o PSDB não sabe fazer. Por exemplo, não saberia defender um marco regulatória para as comunicações. Se quiser continuar existindo tem que ser por aí. Mas para o PSDB é uma missão impossível.

  2. Marcos Silva 14 de abril de 2011 18:03

    Amigo é pra essas coisas!

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