josé dias junior, por frankin levy

José Dias: um ser essencial à história da música potiguar

Se fizermos um honesto exame de consciência deveremos admitir que Natal muitas vezes é ingrata e injusta com personagens que contribuíram para a história dessa capital. Poucos têm a sorte de serem reconhecidos em vida.

Um destes anda esquecido e isolado em seu recanto reunindo forças para concluir seu livro de memórias sobre seus feitos na música popular. E sonhando com novos projetos.

Atende pelo nome de José Dias Júnior, idealizador do antológico Projeto Seis e Meia, que levou ao palco do Teatro Alberto Maranhão dezenas de imensos nomes da MPB e revelou outros tantos de uma geração rica de intérpretes e compositores da canção norte-rio-grandense.

No último 22 de agosto Zé Dias concedeu uma histórica entrevista ao Projeto Diálogos Culturais da Fundação José Augusto, que pode ser assistida no canal do instagram @culturarn. Nessa conversa, recheada de lágrimas, se percebe muito mais do que o imenso conhecimento do homem em relação a música popular Brasileira.

Há neste personagem verborrágico, tido por muitos (e por ele próprio) como uma figura difícil e chato incorrigível, um enorme amor musical deste fiel devoto de Caetano Veloso e João Gilberto.

Através de Zé ,milhares de potiguares tiveram a chance de ver a preços populares nos anos 90 lendas como Elza Soares, Carlos Lira, Johnny Alf, Roberto Menescal, Tetê Espíndola, Miltinho, João Bosco, MPB-4, Edu Lobo, Luiz Melodia, Belchior, Fagner, Alceu, Oswaldo Montenegro, Moraes Moreira e uma lista enorme que se perde na memória do próprio produtor.

O eterno resmungão teve a coragem de trazer então desconhecidos como Chico César, Zeca Baleiro, Renato Braz e Rita Ribeiro para sessões lotadas no velho palco do TAM e em Mossoró. Revelou artistas potiguares como Cida Lobo, Geraldo Carvalho, Lane Cardoso, Isaque Galvão e Khrystal. Alavancou o trabalho de nomes como Pedro Mendes, Sueldo, Cleudo Soares e Valéria Oliveira.

Produziu projetos musicais abertos ao público em shoppings, realizou aulas-espetáculos e bancou produções como o Natal em Canto e o Festival de Bossa Nova Hianto de Almeida trazendo lendas do gênero.

Zé é um baú inesgotável de causos de bastidores com as estrelas da MPB que estão guardadas para seu livro que vem sendo cobrado por muitos.

O velho produtor vive hoje quieto em seu apartamento cercado pelo amor dos filhos com o desejo de seguir em frente com novas ideias. Uma delas é um espetáculo dedicado às cantoras, que não goza ainda da chancela do poder público nem de qualquer apoio futuro de algum patrocinador.

Falta a esta cidade pedir desculpas pelo ostracismo ao qual o relegou nos últimos anos, virando-lhe as costas e esnobando sua enorme contribuição à formação musical das plateias. Sua figura, que por vezes observamos hoje a vagar solitária, foi há muito alijada da cena principal dos palcos natalenses.

José Dias Júnior está muito vivo para receber glórias merecidas. E vamos torcer para este ser necessário nos aprontar muito ainda!


FOTO: Franklin Levy

Músico e jornalista. Praticante das coisas búdicas. Amante do blues e da democracia, mas atualmente confinado em nome da vida. [ Ver todos os artigos ]

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