Juan Ramón Jiménez: “Soledad” / “Solidão”

Tradução de Antonio Cicero
No blog Acontecimentos

En ti estás todo, mar, y sin embargo,
¡qué sin ti estás, qué solo,
qué lejos, siempre, de ti mismo!

Abierto en mil heridas, cada instante,
cual mi frente,
tus olas van, como mis pensamientos,
y vienen, van y vienen,
besándose, apartándose,
con un eterno conocerse,
mar, y desconocerse.

Eres tú, y no lo sabes,
tu corazón te late y no lo siente…
¡Qué plenitud de soledad, mar solo!

*********

Em ti estás todo, mar, e contudo
como estás sem ti, e só,
e longe, sempre, de ti mesmo!

Aberto em mil feridas, cada instante,
qual minha fronte,
tuas ondas vão, como meus pensamentos,
e vêm, vão e vêm,
beijando-se, separando-se,
num eterno conhecer-se,
mar, e desconhecer-se,

És tu e não o sabes,
teu coração te late e não o sente…
Que plenitude de solidão, mar só!

JIMÉNEZ, Juan Ramón. “Soledad”. In: RICO, Francisco (org.). Mil años de poesía española. Antologia comentada. Barcelona: Planeta, 1996.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Jarbas Martins 3 de Fevereiro de 2012 18:08

    Juan Ramón Jiménez, sim. E a boa tradução de Antonio Cícero.

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