Júlio Lima

Quinta-feira preferi fugir da muvuca de gente no show dos velhinhos roqueiros do Titãs e Paralamas para conhecer o trabalho do músico e compositor Júlio Lima, na Casa da Ribeira. O valor simbólico de R$ 2 pago para assistir também à apresentação da companhia de dança Cantinho de Nóis e Salão e ainda o grupo Pau e Lata foi uma vergonha. Apresentações como aquelas valeriam muito mais se o grande público soubesse apreciar a boa arte.

Mas fui mesmo para conhecer o trabalho de Júlio Lima. O cara exala música pelos poros. É um talento singular a espera do sucesso. Lançou carreira solo a pouco tempo, depois de integrar a banda MPSol. Difere um pouco dos bons artistas potiguares pela música de caráter mais cosmopolita, embora o regionalismo também esteja impregnado e muito bem colocado em algumas letras. Júlio toca reggae, mangue-beat, rock e até boleros com muita propriedade. E mesmo com a diversidade de ritmos, há uma identidade musical.

Quando me falaram que Júlio Lima tinha um repertório com mais de 400 composições autorais, com apenas 29 anos, achei exagero. Poucos artistas consagrados conseguem alcançar esta marca. Os elogios a respeito do seu virtuosismo com os intrumentos também me foram confirmados. A voz grave e bem postada é vigorosa e casa perfeitamente com a suavidade da backing vocal.

A apresentação de Júlio foi no andar superior da Casa da Ribeira, na sala de Artes Visuais. Não sei se foi o primeiro show musical promovido lá. Mas o espaço pequeno, as cerca de 15 pessoas e a participação do Pau e Lata em uma das músicas (acho que se chama Enlatado, devido ao refrão), foi um verdadeiro coquetel molotov. Sensacional. Para quem achou exagero os elogios demasiados, a expectativa foi atendida. Repasso agora a opinião ao amigo leitor quando assistir o tal de Júlio Lima.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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