Eu não serei a última!

O título desse texto foi extraído do discurso de Kamala Harris, primeira mulher e primeira negra a chegar como vice-presidente à Casa Branca, espaço que abriga oficial e simbolicamente o poderio influenciador dos Estados Unidos sobre si mesmo e o mundo.

Kamala, filha de imigrantes, mãe indiana e pai jamaicano, hoje sintetiza o renascer da esperança na luta pela manutenção das democracias nas Américas, uma vez que estas/elas vêm sendo assoladas pela onda crescente de retrocessos advindos do conservadorismo de extrema-direita e fascismo.

Ao ouvi-la, com sua fala potente de quem sabe a importância do lugar que ocupará e do feito histórico que ajudou a realizar, compreendi a força desta mulher desbravadora.

A beleza de sorriso largo que conclamou as crianças a sonharem com ambição e a chegarem a lugares não ocupados, pensados ou vistos ainda, se mostrou um farol para um novo tempo.

Eu me emocionei em diversas partes de seu discurso, duas em especial. A primeira, quando ela trouxe a trajetória das mulheres na luta pela democracia, dizendo: “Mulheres que lutaram e se sacrificaram por igualdade, por liberdade e por justiça para todos. Inclusive as mulheres negras que muitas vezes são esquecidas, mas que são a base de nossa democracia”.

E o segundo, quando ela disse que é a primeira, mas não será a última mulher a ocupar lugares historicamente masculinos, e em suas próprias palavras, fala: “Embora eu seja a primeira mulher neste posto, não serei a última, porque cada garotinha que me vê hoje, vê que esse é um país de possibilidades”.

É impossível não pensar em nós, mulheres brasileiras, e nas eleições que se aproximam. O Brasil já teve sua primeira mulher presidente, que acabou vitimada pelo machismo na política em acusações das quais já foi inocentada.

Nós lutamos pelo direito ao voto, pela participação na política e demais setores da sociedade em condições de igualdade de direitos e oportunidades.

Assim, como falou Kamala Harris, o futuro da democracia passa por nossas mãos e por nossas lutas. Pelas mãos das mulheres, pelas mãos das mulheres negras, base de nossa sociedade.

É preciso estarmos vigilantes e em luta constante para a manutenção da democracia e dos direitos duramente conquistados, principalmente em sociedades machistas e racistas como a nossa. Ela é a primeira, mas não será a última!

Muitas de nós ainda somos as primeiras nas mais variadas áreas e, mesmo após 21 séculos, continuamos lutando pelos espaços que nos foram negados pelo patriarcado.

Sim, ela não será a última! Nós não seremos as últimas, estamos pavimentando a estrada para as que virão.

Pedagoga e professora do IFRN, campus Apodi. Mestra em ensino pela UERN e doutoranda em educação pela UFPB. Autora do livro "Entre Saberes e Fazeres Docentes: o ensino das relações étnico-raciais no cotidiano escolar". Tem contos e poesias publicados em antologias. [ Ver todos os artigos ]

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