Kultur

Kultur: O QUE VOCE PRECISA SABER PRA SE TORNAR UMA PESSOA CULTA

“Quando penso em todos os livros que ainda posso ler, tenho a certeza de ainda ser feliz” – Jules Renard, escritor Francês.

O Livro “Cultura Geral” (Bildung) – Tudo o que você deve saber” – do Alemão Dietrich Schwanitz, com mais de um milhão de exemplares vendido na Alemanha, é um daqueles livros best-seller que valem o investimento gasto na sua compra, e as horas gastas na sua leitura. É um livro que você não precisa ler de cabo a rabo, porque onde você abrir é interessante. Até mesmo o final do livro quando é dada uma relação dos livros recomendados para que uma pessoa se torne culta. Importante, também, a relação dos livros que mudaram o mundo.

Toda relação é pessoal, mas é inquestionável a maioria dos livros relacionados por Schwanitz, por sua abrangência e transformação do mundo. Neste artigo comentamos algumas lacunas nessas relações, e fazemos uma resenha desse importante e instigante livro. Os clássicos são eternamente jovens e quando penso no que há para ler sou obrigado a ficar com os clássicos.

O livro aborda a sociedade moderna, a emergência do estado, a ciência, a história da arte, música, livros, os grandes filósofos e escritores e a história do debate entre os sexos – tudo numa visão euro-cêntrica e erudita. A segunda parte do livro trata da comunicação entre as pessoas, a linguagem, a escrita, inteligência, talento e criatividade. Tem um capítulo do que não convém saber e o saber reflexivo. Como se percebe é um livro pretensioso e uma receita de cultura que não precisamos seguir à risca para sermos considerados uma pessoa culta.

Entre o que não se deve saber está os bastidores da família real e sua bisbilhotice pela imprensa marrom, a programação televisiva com seus talk-shows e reality-shows (abomináveis) e revistas de receitas, modas e trivialidades que se multiplicam em capas que convidam a consumir o que não precisamos.

O livro é uma tentativa de aproximar o alemão de um viver mais social e em sintonia com o resto da Europa. Tentativa de tirar o alemão da clausura em que se afundou num cenário hamletiano cheio de fantasmas e melancolia. Que o delírio e alucinações ideológicas deixem de afugentar. Uma aproximação aos eternos personagens que de tão familiares passam a fazer parte de nossas vidas: Dom Quixote, Hamlet, Fausto, Robinson, Falstaff ou Dr. Jekyll, Mr. Hide, etc.

Cultura não é sinônimo de civilização. Em um dos mais importantes livros do polígrafo Câmara Cascudo –”Civilização e Cultura” – ele faz uma distinção clara entre esses dois vocábulos. Todo civilizador é maior que a soma das partes culturais. A essência da civilização é intransferível, o que se transmite é a cultura. Na Alemanha a “Kultur” serviu como política de aliciamento cultural em nome de uma ideologia e numa luta pela cultura: Kulturkampt.

O livro é a maior invenção da história, e é o principal agente na transmissão da cultura. O livro existe para dar expressão literária aos valores (Hallewell, L.). Na relação dos livros que mudaram o mundo, não concordo com a inclusão do livro “Waverley” (1814) do Walter Scott, e a não inclusão do D. Quixote, de Miguel de Cervantes. E mais ainda, não concordo que o Walter Scott seja o iniciador do romance europeu. O livro fundador foi o Quixote com seus milhões de leitores no mundo inteiro. Na minha relação ainda incluiria o Gargântua e Pontagruel, do François Rabelais e dois dos maiores livros da história do Ocidente: Mediterrâneo, do Braudel e a “História do declínio e queda do império Romano”, do Gibbon. Em se tratando do mundo, outras ausências são injustificáveis na relação centrada na Europa e com ênfase na Alemanha. Incluiria entre os grandes livros da humanidade, os seguintes: “I Ching”, “Os Upanishads”, “O Avesta”, “O Dhammapada”, “Guerra e Paz” (Tostói), “Ulisses” (Joyce), “A cabala”, Shakespeare (obra completa), “Harmonia do Mundo” (Kepler), “Constituição norte-americana” (Tocqueville), etc.

Como se observa, muitas obras importantes ficaram de fora da relação de Dietrich Schwanitz, o que não quer dizer que sua seleção não seja imprescindível, e enriquece o livro que é uma apologia da cultura como agente transformador do mundo.

Não fique triste se você não tiver lido a maioria dos livros relacionados. É um sinal de que você ainda pode ser muito feliz. Deixe os livros supérfluos, a televisão e leia os grandes clássicos da humanidade. Aí, sim, você vai pode dizer: sou uma pessoa culta.

Relação dos livros que mudaram o mundo – Do “Livro Cultura Geral”.

Nesta relação, que no livro vem com um pequeno comentário sobre cada obra, colocarei o título em português, quando souber que o livro foi traduzido.

Santo Agostino – A Cidade de Deus

Justiniano – Institutas

Cláudio Ptolomeu – Cosmografia

Euclides – Elementa Geométrica

Tomás de Aquino – Suma teológica

Galeno – Opera

Plínio, o Velho – Naturalis História

Heródoto – História

Thomas More- Utopia

Martinho Lutero – O Novo Testamento

Baldassare Castiglione – O Cortesão

Nicolau Maquiavel – O Príncipe

João Calvino – Christianae religionis institutio

Nicolau Copérnico – Sobre a revolução das orbes celestes

The Book of Common Prayer

Index Librorum prohibitorum

Giorgio Vasari – Vida dos melhores pintores, escultores e arquitetos

Andréa Palladio – I Quattro libri dell´architettura

Michel de Montaigne – Os ensaios

The Holy Bible – A bíblia do rei James

Francis Bacon – Instauratio magna e Novum Organum

Galileu Galilei – Diálogos sobre os dois máximos sistemas do mundo

René Descartes – Discurso do Método

Thomas Hobbes – Leviatã

Blaise Pascal – Pensamentos

Baruch de Espinosa – Tratado teológico-político

John Bunyan – O peregrino

Sir Isaac Newton – Princípios Matemáticos

John Locke – Dois tratados sobre o governo

Giambatista Vico – A ciência Nova

Albrecht Von Haller – Ensaio de Poemas Suíços

Carl Von Linné – Systema naturae

Enciclopédia de Diderot e d´Alembert

François Marie – Arouet

Voltaire – Ensaio sobre a história geral e sobre os costumes e o espírito das nações

Jean-Jacques Rosseau – O contrato Social

Johann Joachim Winckelmann – Reflexões sobre a arte antiga

Johann Gottfried Herder – Tratado sobre a origem da linguagem

Adam Smith – A riqueza das Nações

Immanuel Kant – Kant e a crítica da razão pura

Edmund Burke – Reflexões sobre a revolução em França

Thomas Paine – Direitos do Homem

Mary Wollstonecraft – A vindication of the right of Woman

Thomas Malthus – Ensaio sobre o princípio da População

Geog Friedrich Wilhelm Hegel – Fenomenologia do espírito

Walter Scott – Waverley

Franz Bopp – Über das conjugationssystem der Samskritsprache im vergleich mit jenen der griechischen, lateinischen, persichen und germanischen

Jacob Grimm – Gramática Alemã

Leopold von Ranke – Sobre a historiografia moderna

Auguste Comte – Curso de Filosofia Positivista

Karl Von Clausewitz – Da Guerra

Rowland Hill – Post Office Reform; its importance and praticability

Friedrich List- Das nationale system der politichen ökonomie

Harrier Beecher-Stowe – A cabana do pai Tomás

Arthur Gobineau – Essai sur l´inegalité des races humaines

Charles Darwin – A origem das espécies

John Stuart Mill – A liberdade/ utilitarismo

Johann Jakob Bachofen – Das Mutterrecht

Walter Bagehot – The English constitution

Karl Marx – O capital

Heinrich Schliemann- Trojanische Alterthűmer

Cesare Lombroso – O Homem Criminoso

Friedrich Nietzche – Assim falou Zarathustra

Friedick Jackson Turner – The significance of the frontier in american history

Theodor Herzl – O estado Judeu

Sigmund Freud – Interpretação dos Sonhos

Vladimir Ilich Lênin – Que fazer?

Friedrick Winslow Taylor – Princípios da administração cientifica

Albert Einstein – Teoria da relatividade especial e geral

Oswald Spengler – Decadência do Ocidente

Adolf Hitler – Minha Luta

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

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