La Isla Mínima arrebatou os Prémios Goya

Por Cláudia Carvalho
PÚBLICO

Os prémios da Academia Espanhola foram entregues neste sábado à noite, em Madrid.

Era o mais nomeado aos prémios e foi o filme que mais estatuetas arrecadou. La Isla Mínima, o thriller de Alberto Rodríguez, venceu dez das 17 categorias para que estava nomeado na 29ª edição dos Prémios Goya, considerados os Óscares de Espanha.

Conquistou a crítica e o público, arrecadando 5,2 milhões de euros em bilheteiras, e agora venceu os prémios mais importantes da indústria do cinema em Espanha, entre os quais o Goya de Melhor Filme, Realizador e Argumento Original.

La Isla Mínima é a história da investigação do desaparecimento de duas irmãs durante uma festa numa vila de Espanha nos anos 1980. É o sexto filme do sevilhano Alberto Rodríguez, protagonizado por Javier Gutierrez, que dá vida a um polícia violento responsável pelo caso – papel que lhe valeu o Goya de Melhor Actor.

“Alberto Rodríguez, viva a mãe que te pariu! Obrigado pelo cinema que fazes, obrigado pelo talento descomunal e pela tua enorme humanidade”, reagiu o actor ao receber o prémio de representação.

Já o realizador, que já tinha sido nomeado no passado mas nunca tinha ganhado uma estatueta, agradeceu a todos aqueles que “há 20 anos começaram a tentar fazer cinema na Andaluzia”, independentemente da falta de meios ou de dinheiro.

A espanhola Nerea Barros venceu o Goya de Actriz Revelação pelo seu papel no filme que arrecadou ainda os prémios de Montagem, Direcção Artística, Fotografia, Guarda-Roupa e Música Original.

El Nino, filme de Daniel Monzon que estava nomeado em 16 categorias, venceu quatro prémios técnicos, enquanto Magical Girl, de Carlos Vermut, conquistou apenas uma estatueta: Melhor Actriz para Barbara Lennie, pelo retrato de uma mulher frágil e emocional.

Um dos momentos altos da noite foi quando Antonio Banderas subiu ao palco da cerimónia para receber o Goya de Honra pela sua carreira, entregue por Pedro Almodóvar. “É impossível para mim falar de Antonio Banderas sem falar de mim”, começou por dizer o realizador. “Nos anos 1980, rodámos cinco filmes juntos. Eu conheci-o logo depois de ele ter chegado a Madrid, e estou muito agradecido por ter deitado as minhas mãos ao seu talento, sem medo, sem preconceitos, sem paraquedas. Os olhos dos meus protagonistas era sempre os Antonio”, disse Almodóvar.

“Tudo o que tenho devo à minha profissão. Devo não só o que tenho mas aquilo que sou”, disse Banderas, de 54 anos, dedicando o prémio “a quem mais sofreu” com a sua paixão pelo cinema, com as suas ausências prolongadas, com os seus compromissos profissionais. “É a pessoa de quem perdi os melhores planos, as melhores sequências e que, no entanto, foi a minha melhor produção. Dedico-te este prémio, pedindo-te desculpa a ti, Stella del Carmen, a ti, minha filha”, continuou, garantindo que sempre que acaba um trabalho no estrangeiro a sua mente está em Espanha.

À semelhança do que aconteceu em anos anteriores, os protagonistas dos prémios não deixaram de criticar a política cultural espanhola, deixando apelos ao Governo que para baixe o IVA na Cultura, actualmente nos 21%, e ainda para que conclua a prometida Lei do Cinema.

A gala da 29ª edição dos Goya, os prémios mais importantes do cinema espanhol, atribuídos anualmente pela Academia das Artes e Ciências Cinematográficas de Espanha, foi a mais vista dos últimos anos com mais de 3,8 milhões de espectadores.

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