Laélio or The Ombudsman

The Ombudsman Blog ou o Caruso-Poeta

Meus Caros Amigos,

Fico muito feliz com o retorno e os comentários de Laélio. Ele é um poeta filho de poeta. Muito inteligente; sempre à espreita lendo os jornais e blogs da cidade. Qualquer deslize é motivo de uma glosa. Qualquer palavra mal grafada é motivo dos seus comentários e chistes bem humorados. Muito exigente com a rima e a métrica. Um erro gramatical é motivo de sua chacota.

Ele é o maior glosador “vivo” de Natal. Quase sempre manda seus motes e glosas para alguns amigos e blogs escolhidos do momento. Gosta muito do blog “besta fubana” e do papo furado de Jairo.

Cuidado com o que você escreve e rima porque pode estar sendo observado e glosado. Ela já versou para muitos de nós.

Laélio é o “Ombudsman Blog”. Trabalha intensamente para preservar a memória do seu pai, o grande poeta autor de Praieira. Conhece todo mundo e cada palmo dessa cidade. De sua verve é o mote:

“Tem poeta pra caralho
fazendo merda em Natal”

Obrigado poeta

Físico, poeta e professor [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Laélio Ferreira 10 de Fevereiro de 2011 16:34

    Meu caro João da Mata.

    Epígrafe: “Me cita que eu te cito, me baba que eu também te babo” – that’s the question, a bronca é esta, aqui, na ocara grande do mestre-de-campo Filipe Camarão.

    ***
    Queira-me bem, Professor, mas não mereço, pela segunda vez, tamanha homenagem – esses confetes e serpentinas todos! Dá para notar, estou certo, que nada de pessoal tenho contra você – e já lhe dei demonstração dessa postura, várias vezes. Só tenho uns quatro ou cinco inimigos e vosmecê nunca foi nem será um desses desafetos. Também não lhe endereço nenhum rancor e nem vou jogar ebó (arre égua!) pra vosmecê em porta de cemitério – fique certo!

    Acerca das minhas manifestações nas veredas internéticas, usando a ferramenta das glosas fesceninas – hoje raro exercício de cantiga de maldizer provençal –, bastar-lhe-á, meu caro Professor, passar uma vista d’olhos nas transcrições abaixo, pinçadas de uma “Carta a Othoniel no Azul”, introdutória do volume “OTHONIEL MENEZES – Obra Reunida” (Editora UNA, 2011, em fase de impressão).

    Presumo que você, João, e todo mundo e seu raimundo, espero, entenderão o que tento fazer e venho fazendo, apesar dos pesares – bota tempo nisso…

    Muito cordialmente,

    Laélio Ferreira de Melo

    TRECHOS:

    “Noto-me, ainda, muito parecido com o senhor, “incompreendido e incompreendendo” quanta coisa deste mundão cá de baixo, com a mesmíssima larga aversão à mediocridade provinciana. Já houve quem nos chamasse, aos dois, pai e filho, de “irritadiços”. Valeria, pois, para ambos, aquele contundente e velho conselho sertanejo de que “não se pode discutir com um burro sem ter um pedaço de pau na mão?”

    Vosmecê, meu pai, bem sabe que deixei os versos comportados muito cedo por muitas razões, limitando-me, nas horas vagas, às glosas sacanas, fesceninas, quase sempre de crítica e desabafo, metendo a catana numa pá de gente – às vezes, até, me arrependendo por algumas grosserias: a velha história de “não perder o mote”.
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    Fui à vida, à liça, muito cedo, sem nunca sonhar em vir a ser um daqueles “intelectuais conterrâneos” que por cá saltitam e pululam. Fui, sim, catar o pão de cada dia em atividade profissional sem nenhuma poesia, Brasil afora, vasculhando – a bem da verdade, com pouquíssimo sucesso na hora dos julgamentos pelas cortes – o lixo da corrupção fantástica de muitos comedores de verbas federais, lestos e mitrados rabos-de-couro, políticos viciados ou afilhados desta brava e malina gente.
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    Linda e pobre terra, a nossa “iara morena, pulando na água serena do Potengi, a cantar”…
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    Até hoje, nessa banda escura, nada mudou no Pindorama. Acho eu que a coisa só fez piorar, desde os tempos da carta de Caminha.
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    Guimarães Rosa dizia: “Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa”. Pois é, Papai, quem desconfia agora sou eu, “a coisa aqui tá preta”, como diz aí por cima, na epígrafe, o filho de Sérgio Buarque de Holanda, aquele jovem que, na televisão, nos tempos da ditadura – aquela, infelizmente, que o senhor não lhe viu o fim – cantava “Pedro Pedreiro” e o chorão da “Praieira”chorava baixinho, fazendo chorar sua Maria, os dois na salinha modesta do apartamento do Catumbi.
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    “A gente vai vivendo e esperando que alguma coisa divina aconteça…” (Borges).
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    Aqui, há muitas exceções, honrosas, decentes, mas a coisa, no geral, no picollo mondo, “tá preta” mesmo no ensino (de todos os graus), nas academias – inclusive na de Letras, aquela que o senhor nunca foi lá, sequer tomar posse –, na política e no bestunto da maioria dos “intelectuais conterrâneos” – estes últimos produzindo mais do que sabiá no fundo da gaiola. O senhor, “Seu” Othoniel, não calcula quantos “poetas”, quantos “cordelistas de bancada” (uma invenção recente!), quantos “escritores”, quantos “tradutores” (os de Baudelaire, uspeanos cavilosos, são uma graça!), grosas de “jornalistas”, dúzias de “críticos literários”, centenas de “mestres” e “doutores” e até “filósofos metafísicos” expertos em “ciências mortas e línguas ocultas” (arre égua!) sobrenadam – todos! – engalfinhados, esfalfados, sem fôlego, em petição de miséria, sapecando caldo e danando cangapé uns nos outros, no “Poço do Dentão” da Praia do Meio…
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    Darcy Ribeiro dizia: “Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou-me resignar nunca.”!
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    Novidade grande é uma tal de Internet e um certo “Professor Google”. Ferramentas para o bem e para o mal, facas de dois gumes. O “professor” é um gênio ao quadrado. Equivale, o mestre – só para o senhor calcular, por baixo –, a umas cem mil miscelâneas daquelas de João Babão, nos velhos tempos. Os sabichões daqui e de alhures deitam e rolam no munguzá: copiam o que lhes interessa e sapecam em baixo e jamegão lustroso, na maior cara de pau, ganhando fama e prestígio entre os bestas. No planeta poluído, os bons e justos ainda não descobriram aquela – “simples, fecunda, bíblica, feraz” – sementezinha de mostarda da paz de que o senhor fala nos versos da “Canção da Montanha”…

    Bem disse – e disse bonito! – o poeta lusitano José Saramago: “Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”.

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