Lágrima na Chuva n°1

A rua é um sumidouro e na Ribeira Revitalizada
eu sou um rato esgotado vestido de mijo.
Eu sou o silêncio de Fia no centro da avenida amputada.
Eu sou o choro amputado de Fia nos batentes.
Contorço o vão das noites carcomido pela cidade áspera.
Chupei o pau de um ciborgue negro no pátio da Igreja Matriz.
E acendi velas na Praça Padre João Maria.

Por que não as putas a dar nome às ruas e praças?
As bestas i-mundas, calçadificadas. O lixo indigente,
por que não lembrá-lo em monumento?
forjar em mármore seu instante mais sórdido –
os cacos sob os pés e a parede dos lábios descascada.

Mas quem construiria esse museu de dejetos?
Quem, para guardar os estilhaços da História?

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