Lanterna na Proa

Por Tácito Costa

UMA LÁGRIMA PELO DIÁRIO

O jornal Diário de Natal encerrou suas atividades ontem (leia mais aqui) após mais de 70 anos de história no Rio Grande do Norte. Nesse tempo, chegou a ser o principal veículo de comunicação do estado. Estagiei lá na década de 80, foi a minha primeira experiência em jornal impresso. Demitiu toda a equipe (mais de 30 profissionais) e em nota anunciou que se voltará apenas para a a internet, onde mantém o Diário Online. O jornal enfrentava séria crise nos últimos anos, com perda de tiragem, anúncios e prestígio.

A CRISE NOS JORNAIS IMPRESSOS

Tenho a impressão de que trabalhar numa redação de jornal impresso ou online, acaba nos influenciando na maneira como nos posicionamos sobre o futuro do jornalismo. Em sua coluna de ontem no jornal impresso Novo Jornal (reproduzida mais abaixo), o jornalista Everton Dantas faz uma análise otimista sobre o futuro dos jornais.

Por coincidência, no mesmo dia em que o Diário de Natal chegou às bancas com sua última edição impressa. Eu, Everton e demais jornalistas do RN sabemos que o Diário fechou graças a equívocos monumentais cometidos nos últimos anos. Mas é provável que se fosse em outros tempos, esses equívocos não tivessem assumido uma importância tão grande que levassem ao fim do jornal.

Jornais e livrarias, principalmente os pequenos, estão fechando em ritmo acelerado nos Estados Unidos e Europa. Esse tipo de tendência termina por se estender para os demais países. A crise não é do jornal impresso apenas. Mas de um modelo industrial que tem o papel como principal insumo.
No Brasil, caiu a tiragem de muitos jornais (FSP, por exemplo) e outros estão com tiragens estagnadas. O Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil, para ficar apenas nesses dois exemplos mais conhecidos, encerraram suas atividades não faz tanto tempo assim. Desconhecer que existe uma crise profunda nos jornais impressos não é a melhor maneira de debater a questão.

O que ocorre é que o público consumidor de jornal impresso envelheceu e está morrendo e as novas gerações foram ‘alfabetizadas’ pela internet, não leem jornal impresso. Esse é o nó que ninguém ainda conseguiu desatar. Além disso, os custos do jornalismo impresso são muito maiores do que os do jornalismo online.

O jornalismo não vai acabar. O livro não desaparecerá. Migrarão para a internet e tablets, quer gostemos ou não. No caso do Brasil, isso talvez leve mais tempo porque existe ainda uma imensa quantidade de pessoas que não tem acesso à rede e os tablets são, por enquanto, caros.

Não sou otimista quanto ao futuro do jornalismo impresso. E encaro como ousada a afirmação de Everton de que “o jornal segue vivo e revigorado”. Além das agruras econômicas porque passam (queda nas tiragens, menos publicidade) os jornais ainda enfrentam, principalmente no Brasil, uma profunda crise de identidade e legitimidade.

No entanto, essa crise tem seu lado positivo. Com a internet diminuiu o poder dos grandes jornais e revistas. A informação ficou mais democrática. Para desespero e amargura dos barões da imprensa brasileira.

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