Larga o meu Pound!!!

Caros colegas (rsrsrsrs),

Tenho me debruçado (preste um pouquinho de atenção, querido Jarbas) sobre um livrinho estranhamente maravilhoso. Trata-se de Cathay, um misto de tradução da poesia chinesa e de criação em língua inglesa. O autor? Ezra Pound, um dos grandes da literatura mundial.

O meu exemplar é da editora “Relógio D’Água”, Lisboa, 1995. A tradução é de Gualter Cunha. O livro estava guardado em minha biblioteca, talvez esperando por um desses momentos mágicos de encontro. E olha que eu nem me lembrava dele e nem onde o adquiri.

Mas, o fato é que o texto é belíssimo e decidi que, após concluir sua leitura, não darei e nem emprestarei a ninguém. A nenhum astronauta, garçon, professor, juiz, médico, doutor, pós-doutor…

Larga, pois! Cathay é meu e ninguém tasca!

Vejam se não merece esses cuidados. Olhem só a beleza desse poema que segue e que, apesar do título “coletivo” é um poema autônomo do livro:

Quatro poemas de despedida

Chuva leve cai sobre a poeira leve
Os salgueiros do pátio da estalagem
Ficarão cada vez mais verdes,
Mas vós, Senhor, fareis bem em beber vinho antes de partir,
Porque não tereis amigos por perto
Quando chegardes aos portões de Go.

(Rihaku ou Omakitsu)

———————–

E o original, em inglês:

Four Poems of Departure

Light rain is on the light dust
The willows of the inn-yard
Will be going greener and greener,
But you, Sir, had better take wine ere your departure,
For you will have no friends about you
When you come to the gates of Go.

(Rihaku or Omakitsu)

Tá vendo? Larga, então, o meu Pound!!!

p.s. Leiam como se o poema estivesse em espaço simples, pois a formatação do blog parece que não permite  isso.

DO EDITOR
Lívio, tentei consertar a formatação dos poemas (espaços). Avise-me se não deu certo que eu deixo como estava antes.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 10 de dezembro de 2010 10:23

    Caríssimo Livio, além de ser bom poeta e bom leitor, você é um cara tocado pela fortuna.Ter em mãos um livro de Pound, com uma tradução de nível como a de Gualter Cunha…Foi uma revelação: não sabia que existia uma tradução de Cathay, no português de Portugal, nem nunca tinha ouvido falar nesse excelente tradutor.Sua recriação tradutória pareceu-me bem melhor que a dos brasileiros ( infelizmente estou, no momento, sem a obra de Pound, traduzida pelos Campos, Décio Pignatari e Mário Faustino).Quanto à formatação dos poemas, está tudo certo.Abração, Lívio.Não seja egoista.Abra seus preciosos arquivos para nós.Gostaria de um Julian Assange da Poesia.

  2. Lívio Oliveira 10 de dezembro de 2010 9:42

    Beleza, Tácito. Ficou perfeito. Brigadão!!!

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