“Leite Derramado”

Uma coisa é quase certa. Se por trás de “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derrramado” não estivesse o nome de Chico Buarque de Hollanda, esses livros não teriam a repercussão que tiveram e nem gerariam as polêmicas que geraram. A “culpa” não é de Chico Buarque, claro, e quem deve adorar todo o alvoroço, quase sedição a cada obra lançada, é a editora dele, a Cia. das Letras.

Venci o preconceito, esse sentimento que nos empurra para o pior que existe em nós, e enfrentei “Leite Derramado” depois de ter recebido de presente de um amigo. Confesso, contudo, que só li porque o ganhei, não teria disposição para comprá-lo. Escaldado que fiquei depois de tentar ler Estorvo e Budapeste e desistir após o teste das primeiras 40, 50 páginas.

Li, principalmente, com o objetivo de tirar a limpo o que andaram dizendo por aí, uns achando que estamos diante de um novo Machado de Assis; outros considerando que trata-se de um Paulo Coelho melhorado. Nos dois extremos, nomes de peso esgrimindo seus pontos de vistas.

Pois bem, nem tanto à terra, nem tanto ao mar. É apenas um romance mediano, o que não é pouco, na minha opinião, como dezenas de outros lançados todos os anos por esse Brasil afora e que se não tivesse a grife “Chico Buarque de Hollanda” passaria sem provocar estardalhaço. Digamos “Leite…” que está no mesmo nível de outro livro que comentei aqui recentemente, “Outra Vida”, de Rodrigo Lacerda.

Na verdade, dois autores que não me convenceram plenamente, mas que também não podem ser atirados na lata do lixo sem contemplação alguma, como se fossem paulos coelhos, lobões ou danusas da vida.

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