Lembrando dos cronópios

Grande Laurence:

Gosto muito de Júlio Cortázar. Além de brilhante ficcionista, ele escreveu ensaios inteligentes. Num dos ensaios reunidos em “Valise de cronópios”, Cortázar defende a importância de se garantir ao grande público o acesso a versões integrais de clássicos (ele cita especificamente Shakespeare), ao invés de lhe permitir apenas o conhecimento de versões simplificadas, tornadas mais ligeiras em péssimas adaptações (historiadores e coroas em geral lembrarão de uns livros horríveis que “Seleções do Readers’s Digest” publicava).

Pegando dois bons músicos ditos populares: é possível que o grande público conheça mais Bernstein e Jobim que Schubert e Verdi. Falta tocar mais Schubert e Verdi no rádio (na tv, etc.)! Sem ficar medindo quem vale mais! Porque diferentes belezas são para sempre.

Mesmo o rock possui suas jóias: solos de Hendrix, onomatopéias de tantos, letras de uns e outros que leram bons poetas…

Por falar em Freud: ele nos ensinou que sem inconsciente não existe o resto, até comenta alguns inconscientes ilustres – Dostoiewvski, Da Vinci. Não dá para permanecer somente no inconsciente, claro – nem todo mundo escreveu Karamazov.

Resumo: gozos para todos! sutilezas para todos! zoo, lógico! lógica, mas não só! O dadaísta Kurt Schwitters passando de colagens feitas à base de lixo para obras construtivistas…

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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