Leopoldo Nelson de Souza Leite

Leopoldo Nelson foi uma espécie de Fausto que ama sua Margarida. Um homem insaciável na sua busca de conhecimento. Pintor, poeta e médico. Fez sua pos-graduação na Espanha e se apaixonou por sua cultura e Quixotes. Sua arte depois disso ficará impregnada dessas figuras goyescas e trágicas. Sofrida como o cristo.

A via sacra é sua obra prima. O Cristo está nu. As mulheres, muitas mulheres grávidas, tristes, famintas e em romarias. Olhos expressivos denunciam desespero. As mãos são levadas á boca. A boca está gritando. “quem, se eu gritasse , me ouviria dentre as ordens dos anjos? Perguntam esses seres desesperados de Rilke na epígrafe de Leopoldo Nelson.

Da boca também pode sair flores. As mulheres são do mundo. Podem ter um pescoço a la Modigliani. Ou pode ser uma nordestina faminta. O grito está sempre no ar. Jovens e Velhas. Mulheres de Munch. Rostos algumas vezes redondos, angulosos e ovalóides. Do negrume de seu pincel a carne dilacerada de sua arte. Nos rastros de traço um destino próximo anuncia. É preciso um pacto. E preciso se embriagar das sombras das madrugadas. Uma constelação de rostos humanos iluminam de escuridão a sua arte. O vermelho-sangue esparrama em algumas de suas telas. Sofreu muitas influencias, mas sua pintura traz a marca do expressionismo do século XX.
O poeta é apaixonado por Garcia Lorca, Rilke, Goya, El Greco e Dali que ele encontra moribundo e o pinta com seu bigode eloqüente. Você meu amigo e os livros. Poeta do traço e homem da ciência. Professor da UFRN. Receba a minha gratidão nesse dia que comemora o seu encantamento e saudades de quem nunca o esqueceu.

O Leopoldo Jovem e solitário na Catalunha encontra a sua arte. Os Quixotes com quem ele se depara na Espanha estão em toda parte. …. “porque, ainda existe em cada Espanhol, um Dom Quixote vivo. Talvez, estes D. Quixote não sejam mais do que os sonhos impossíveis, sonhados por todos os Sanchos Pança, nas suas buscas particulares de estrelas mais distantes”, diz Leopoldo em fragmentos biográficos de 1981. Continua Leopoldo … “o povo Espanhol que, simbolicamente, transfere para o touro o desconhecido da sua alma. “ . Leopoldo transferiu para as suas telas todo o seu sofrimento. O sofrimento de todos nós. Um Brinde para você meu amigo e poeta das madrugadas de luas escorridas e mortas.

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